quinta-feira, março 24, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 24 de Março de 2011 – Com toda a oposição - mesmo aquela que só o é, porque quer rapar no “pote”-, a votar contra o PEC4, Sócrates foi ontem, objectivamente despedido. No entanto, suponho que é assim que manda a CRP, ficará ao leme da (des)governação até à tomada de posse de um novo (des)governo.

Eu não gosto de Sócrates - nem deste PS -, que, em nome não sei bem de quê, sempre defendeu os poderosos e maltratou os humildes. Sócrates, tal como Fernão Lopes disse de João I, o Mestre de Avis, é um cordeiro perante os mais fortes e um leão perante os mais fracos. Sócrates não deixa saudades a ninguém, a não ser aos rapazes que promoveu e protegeu. A sua governação, jamais merecerá um “requiem”.

Desiludam-se, no entanto, os que esperam que tudo vai mudar para melhor. Silva Pereira avisou ontem no parlamento que quem pensa que já viu tudo há-de ter grandes surpresas futuras. Pedro Silva Pereira sabe certamente do que fala. E se disse o que disse, não é preciso ir a Delfos para ler o futuro próximo deste velho reino.

quarta-feira, março 16, 2011

DO MEU DIÁRIO

Forte da Casa, 16 de Março de 2011 – Faz hoje trinta e sete anos que uma coluna militar saiu das Caldas da Rainha, em direcção a Lisboa, para pôr fim ao regime instaurado com o golpe militar de 28 de Maio de 1926. Comandava a dita coluna militar um tal Vírgílio Canísio da Luz Varela, capitão, que conheci muito bem no Regimento de Infantaria 5.
O capitão Varela era um militar temível. Fui seu subordinado nos últimos meses de 1973 e jamais me passaria pela cabeça que esta militar da velha guarda pudesse comandar uma coluna para derrubar o regime instaurado pelos patuscos que vieram de Braga, montados em cavalos, e entregaram depois o poder a Carmona e a Oliveira Salazar. Foi com surpresa, portanto, que segui os acontecimentos a partir de Tavira.
Eu até achava piada ao tenente Varela, que era um militar da tradicional, seja qual for o significado que se queira atribuir a tradicional. Só eu sei, e também o Carlos Dantas, antigo jogador e treinador de hóquei em patins, Xana (Carlos Carvalho), talvez o melhor jogador de hóquei de todos os tempos e campeão do mundo da modalidade, nesse Verão de 1974, Pedro Cancela de Abreu, João Luís Souto Mayor, o radialista Viegas e o mestre pintor Luís Calheiros, nomeadamente, e outros, como tudo isto parecia surreal. Virgílio Varela a comandar uma coluna que queria derrubar o regime.
Na verdade, foi Virgílio Canísio da Luz Varela, e não outro oficial, que comandou a coluna militar que, saída das Caldas da Rainha, queria tomar o poder em Lisboa. Quem diria!

terça-feira, março 08, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 8 de Março de 2011 – Hoje é dia de Carnaval, mas já não tenho idade nem disposição para me dar ao divertimento carnavalesco. Assim sendo, sinto-me impelido a escrever sobre coisas sérias, se é que alguma coisa é séria neste nosso reino da Dinamarca.
Um texto do jornalista Ferreira Fernandes interpelou-me, há momentos, com alguma violência. Em Junho próximo terei cinquenta e nove anos, contada a tropa terei cerca de trinta e oito anos e meio de trabalho e descontos efectivos. Com penalização, decidi deixar a função pública.
Não atingi o topo da carreira, porque alteraram as regras recentemente, quando já não sinto grande disponibilidade mental para me atirar aos livros como um doido. Há três ou quatro anos atrás bastar-me-ia escolher um tema da vasta e complexa área do meu sector da Administração Pública e preparar uma dissertação, que, posteriormente, haveria de defender perante um júri pretensamente idóneo. Alteraram as regras e a crise mandou que os concursos sejam adiados. Adiados prefiro a suspensos. O léxico permite-me e eu escolho. Aprendi isto com Benveniste.
Durante os últimos trinta e oito anos e meio fui funcionário – nunca quis ser técnico superior -, fui estudante, fui professor (em horário pós-laboral e com autorização de Miguel Cadilhe), fui director de uma colectividade de cultura e recreio, fui membro do primeiro, e creio que último, conselho Municipal de Loures, fui escriba de textos e de livros (estes seguramente maus), etc. Pensava eu, do fundo da minha ingenuidade, que tinha chegado a hora de sair, penalizado, sem quaisquer remorsos, com mil e tal euros. Muito menos de dois mil, seguramente.
Ontem à noite, tirei-me das minhas tamanquinhas (ou tamanquinhos?) e consultei a lista dos aposentados de Fevereiro e lá vi as aposentações milionárias de militares, fartos de não guerrearem, felizmente, de juízes, notários e outros altos funcionários. Basta consultar o sítio da CGA e ver. Mas também aposentações miseráveis de outros portugueses que serviram o Estado e provavelmente do Estado nunca se serviram. Adiante que se faz tarde.
Ferreira Fernandes tem razão em tudo o que diz. É pena que só o diga agora desta forma tão veemente. E se tenha esquecido de ser mais incisivo em relação a colegas seus de profissão. Refiro-me aos grandes da comunicação social - o peixe graúdo das televisões -, que ganham somas verdadeiramente obscenas. E de, na sua catilinária, se ter esquecido dos Lopes, dos Campos, dos Cunha, dos Mira, dos Medina, dos Alberto, etc., que todos os dias prescrevem a ração dos outros, mas que se agasalham, escudados em leis iníquas, com muitos milhares de euros todos os meses.
É preciso ser mais contundente ainda e chamar aos bois pelos nomes. Era preciso também, que Ferreira Fernandes falasse da reestruturação das empresas, que o fizeram, muitas vezes, à custa da segurança social, contribuindo para este estado fétido a que chegámos. Era preciso, por exemplo, que o DN, todo, assumisse uma posição idêntica. Era, mas não é.
Ferreira Fernandes é um Baptista a clamar no deserto.

segunda-feira, março 07, 2011

FELIZ É O DIA
(Homenagem a Al-Mu´tamid)

Feliz é o dia, ó rosa,
Em que sinto o suave aroma
Das tuas pétalas brancas.

Feliz é o dia, ó rosa,
Em que os meus olhos descansam
Nas tuas pétalas brancas.

Feliz é o dia, ó rosa!,
Em que toco ternamente
As tuas pétalas brancas.

Feliz é o dia, ó rosa!

in FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lx. 2005.

domingo, março 06, 2011

DO MEU DIÁRIO

A entrada da Mata (C. Branco)
Santa Iria de Azóia, 6 de Março de 2011 - Mikhail Bakhtin viria muito mais tarde, quando já deixara de brincar ao Carnaval. Com ele aprendi, no entanto, sob o ponto de vista teórico, o pouco que sei sobre esta festa anual.
Bakhtin ensina-nos que o Carnaval era, na idade média, o tempo em que a pirâmide social era invertida e os súbditos podiam criticar livremente o suserano e até o próprio rei. Portanto, antes de mais, o Carnaval foi, e ainda é, um tempo de grandes liberdades, de muita licenciosidade. É aqui que radica o ditado popular “é Carnaval, ninguém leva a mal”.
Na minha infância e adolescência – e ainda nos primeiros anos da juventude- adorava imenso o Carnaval e participava activamente na grande festa de Praça Pública. Com outros rapazes e raparigas, participei em representações, os entrudos, através dos quais se criticavam aspectos da vida da comunidade. Era o entrudo chocalheiro de que falam as canções.
Na Mata, o dia de Entrudo começava com os rapazes a “fuscar” as raparigas, invadindo-se casas e a privacidade doméstica. Os rapazes solteiros procuravam as raparigas solteiras e faziam-lhes uma cruz na testa com pomada dos sapatos ou massa de lubrificação dos eixos e das rodas das carroças e mãos-cheias de farinha na cara. Havia sempre as raparigas que tentavam escapar à “fuscadela”, mas por vezes a coisa fazia-se já mais tarde durante o bailarico. Era dia de grandes correrias e de grande alarido.
Houve um Carnaval que nunca mais esqueci. O Carnaval que se seguiu à perda da Índia. O Dr. Salazar, intérprete único do sentir da pátria, decretou Portugal de luto e impediu os festejos. Mais recentemente, recordo-me bem daquele Carnaval que o Dr. Cavaco também tentou retirar aos funcionários públicos, como se estes festejos se impedissem por despacho. Foi o fim do princípio do dito como 1º ministro e nunca se brincou tanto ao Carnaval.
E para terminar este assunto, espero que se divirtam.

sábado, março 05, 2011


SANTA IRIA
Em memória Silvestre Figueiredo, médico.

A vila de Santa Iria
Até parece um jardim.
Antes de Abril, quem diria
Que havia de ser assim?

No centro do casario
Há um jardim bem tratado,
Onde ao vento, à chuva e ao frio,
Resiste Ary inconformado.

É na Xico Xavier
E tem árvores frondosas.
Sempre pronto pr’ acolher
As pessoas mais idosas.

O parque de Via-Rara,
É bonito o ano inteiro.
Obra cara? Muito cara,
Mas vale todo o dinheiro.

O inda moço Parque Urbano,
Onde era a grande lixeira,
Se não sofrer nenhum dano
Vai ser ‘spaço de primeira.

As árvores já plantadas
Hão-de boa sombra dar,
Pra quem fizer caminhadas
E lá quiser descansar.

Pirescouxe é um lugar
Com um bonito castelo.
E eu com tão pouco vagar
Pra fruir o puro belo.

O verde de tantos tons
Torna o sítio amoroso.
E há os canoros sons
Que me dão sossego e gozo.

Terra de trabalho e paz
Santa Iria sabe dar
Ao idoso e ao rapaz
Espaços para repousar.

























sexta-feira, março 04, 2011

TENHO UMA QUADRA SINGELA

Tenho uma quadra singela
Pra te dizer ao ouvido.
Quando ta disser não digas
Que sou rapaz atrevido.

De hoje não pode passar,
Se não passa a validade.
Quero-te dizer, amor,
Que te amo de verdade!

Este amor é tão sincero,
Tão sincero e delicado,
Que já não posso, meu bem,
Tê-lo no peito guardado!

A noitinha à janela,
Vai ser grande a emoção,
Quando de forma singela,
te abrir o coração.

quinta-feira, março 03, 2011

DO MEU DIÁRIO

Lisboa, 3 de Março de 2011 – Dei-me conta, há muitos anos, que a infância se agarra a nós e não nos larga ao longo da vida. Há semanas atrás, poemas do João Teixeira fizeram-me reviver, também a mim, os odores da minha infância. Nomeadamente, o cheirinho das maçãs Bravo de Esmolfe, que a minha avó dependurava no forro de madeira da sua minúscula sala, onde as minhas tias namoravam e a restante família disputava um lugar junto à braseira, nas longas noites de Inverno.

Hoje, lembrei-me dos comediantes, que chegavam quando chegavam, várias vezes durante o ano, e partiam após a realização de dois ou três espectáculos.

A trupe mais conhecida era a do Luís Costa, grande trapezista, cujas actuações faziam bater mais e mais forte os corações. A sala de espectáculos era o largo do Rossio, onde ainda permanece o chafariz da aldeia. Ali eram montados o trapézio e a barraquinha das marionetas. O povo dispunha-se em círculo e os comediantes iam-se sucedendo, apresentando os respectivos números: ilusionismo, contorcionismo, trapezismo, cantigas em voga e o número das marionetas. Luís Costa, o trapezista, era também o homem das marionetas.

Eu gostava dos palhaços e das marionetas e também do arrojado Luís Costa, que era a primeira figura do importante cartaz, que vinha dos Toulões, no concelho de Idanha-a-Nova. E mentiria se não confessasse a minha admiração pelos jogos malabares.

Faziam-se três intervalos com a finalidade dos comediantes fazerem o peditório, com cujos tostões nunca haviam de fazer fortuna. Faziam um espectáculo medíocre; no entanto, animavam a vida da aldeia durante três dias. E é por isso, provavelmente, que ainda hoje recordo carinhosamente os comediantes. Eles foram os primeiros artistas que eu vi actuar!

quarta-feira, março 02, 2011

TERRAS DO MUNDO




SORTELHA



DESENCONTRO

Sempre desejei
Um coração
De camponesa
Para gémeo do meu.

Só assim,
Pensava eu,
Poderia sentir,
Plenamente,
O alor
E o respirar
Da terra.

Outra coisa;
Porém, ditou
O poderoso destino.
E por isso
Vivo
O desatino
Dos desencontros.

Até um dia…
Ou talvez
Para sempre!

terça-feira, março 01, 2011

DO MEU DIÁRIO

QUE COISA É ESTA?
Santa Iria de Azóia, 1 de Março de 2011 – Esta manhã, pela terceira vez, no espaço de três meses, ou talvez um pouco menos, vi-me privado do acesso ao meu “blogue”, o celebérrimo “MÚSICA MAESTRO”. Reapareceu mais tarde, com já vem sendo costume. De removido passa a reaparecido, ganhando duas qualidades distintas no mesmo dia, ainda que também estas comecem a ser recorrentes.

Eu não percebo nada destas coisas; no entanto, indivíduo de inteligência mediana, não deixo de ficar perplexo com estas mortes e ressurreições. Até aqui encarei o caso com a bonomia que David Mourão-Ferreira disse que eu tinha, num autógrafo muito bonito que escreveu no meu exemplar de Um Amor Feliz. Porém, já começo a ficar de pé atrás.

É evidente que o MUSICA MAESTRO é um espaçozinho sem interesse, que não molesta os meus vizinhos e muito menos os grandes do reino e do
planeta. Por isso acho muito estranho estas remoções, que me estão deixando à beira de um ataque de nervos e quase quase a acreditar em brux

TERRAS DO MUNDO


MANTEIGAS

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 25 de Fevereiro de 2011 – Esta noite, se tudo correr como está previsto, vou jantar e dormir à Quinta de Santa Iria, Teixoso, concelho da Covilhã. Está visto que Santa Iria me atrai, apesar da padroeira da minha terra natal ser a Santa Margarida. Pela terceira ou quarta vez vou pernoitar no concelho da Covilhã, a velha cidade dos lanifícios, de Horácio, Ricardo e Marreta, ou seja, de três das personagens de Ferreira de Castro. E mesmo que assim não seja exactamente passa a ser, porque quero que assim seja.

Não se trata de desamor, não, que eu gosto muito da minha Beira natal; mas a Covilhã fica já numa ponta do distrito, lá onde as Beiras mudam de adjectivo. E para ser franco, também não tenho nada contra a Beira Alta, que, tal como a minha, é interior e está também a caminho da desertificação.
A ideia é confraternizar e sair de casa. Para ser franco, confesso que sou muito caseiro e muito agarrado às minhas coisas pessoais. Sei que Karl Marx estaria em desacordo, mas eu confesso que não sigo o alemão ao pé da letra. É claro que gosto de ser original e de cultivar o meu estilo. Sei igualmente que o meu estilo é a minha única e verdadeira propriedade privada; mas gosto do meu canto, ainda que um dia possa ser o canto de outro.

Eu não vou perder-me em detalhes, mas acho que a nossa casa pode ser o sítio mais acolhedor e também o mais hostil. Contas de outro rosário que não vou desfiar agora. Fiquem bem, que eu, invariavelmente, vou pôr-me a caminho de Santa Iria. No Teixoso, Covilhã, lá onde as beiras mudam de adjectivo qualificativo.

domingo, fevereiro 20, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 20 de Fevereiro de 2011 – Neste fim de tarde, que contrariou um pouco as previsões dos meteorologistas, após um passeio pelos arrabaldes, entreguei-me è leitura de Marcello Duarte Mathias. Mais concretamente, do volume de pequenos ensaios, A Memória dos Outros.

Eu gosto muito deste autor, que, tal como eu ou eu como ele, cultiva o gosto pela escrita diarística. Marcello Duarte Mathias é um escritor de grande erudição e com muito mundo. Por isso mesmo, pelos seus diários perpassam inúmeras personalidades da política, da cultura e dos negócios. Escreve num português muito suave, facto que o torna um autor amável e que se lê sem enfado.

Hoje detive-me nos textos sobre Albert Camus, que é provavelmente o autor francês magrebino que mais admiro. Encontrei referências a L’Etranger e a um tal Mersaut. L’ Étranger, que, conjuntamente com La Peste, é o melhor da obra romanesca do antigo director de Le Combat.

Mas a surpresa foi a referência a Les Noces, que é um “récit” escrito numa prosa verdadeiramente luminosa, que talvez todo o Norte de África devesse ler nos dias que correm. É em Les Noces que Camus escreve: “le monde finit toujours par vaincre l’histoire”.

sábado, fevereiro 19, 2011

DO MEU DIÁRIO

Mr. FRED, um verdadeiro felino
Santa Iria de Azóia, 19 de Fevereiro de 2011 - Agora me lembro que há mais de um mês que não ponho os pés na minha “datcha” de Sesimbra. Eu gostava muito de saber cirílico e escrever “datcha” em russo, porque emprestava mais estilo ao estilo e conferia-me outro estatuto. Mas passemos à frente que o tempo está de chuva e não se pode desperdiçar com as frivolidades deste escriba pindérico.

Ontem à noite, por volta das vinte e uma, apesar deste tempo invernoso e melancólico, fui forçado a deixar o remanso do doce para cumprir com os meus deveres profissionais. Popó estacionado à frente do Governo Civil, na Rua Capelo e depois foi seguir pela Rua Ivens até à Rua Garrett, cortar ligeiramente à esquerda para ganhar a Rua Serpa Pinto e subi-la até ao Largo Rafael Bordalo Pinheiro, já a dois passos do belo Teatro da Trindade. Sempre sob uma chuvinha pertinazmente chata.

E que viu este vosso amigo no seu caminhar pelas ruas do Chiado, que têm o nome de antigos exploradores de África? Cerca de uma dúzia de restaurantes, alguns com grande dimensão, repletos ou mais ou menos repletos de comensais, numa noite de chuva pertinazmente chata. E os restaurantes que vi, cheios e com grande animação, não são propriamente baratos. Portanto, cerca das dez da noite, aquela zona da cidade era bem o contrário de um país em crise.
A crise, é bom de ver, atinge fundamentalmente os desempregados, alguns funcionários públicos e os jovens à procura de primeiro emprego. Ou mais fundamentalmente os desempregados e as respectivas famílias. Porque, lá bem no fundo, heureusement, ainda há muito happy few.
E prontos, como agora se diz, acabei de vos demonstrar que todos os caminhos podem ir dar a Roma.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

SE EU FOSSE COMO CATULO

Se eu fosse como Catulo
Poeta de inspiração,
Em teu corpo, amor, havia
De gravar mil versos, mil!,
De grata recordação.

Com os dedos e os lábios,

lascivos e enlouquecidos,
nele havia de escrever
a mais pura poesia.

Disse bem, amor, havia!

(inédito)

sábado, fevereiro 12, 2011

SE EU FOSSE COMO CAMÕES

Se eu fosse como Camões,
Havia de te fazer,
Amor, versos geniais,
Muitas trovas de encantar!

Pintar-te-ia morena
E de outras cores sadias.
Blusa vermelha decerto
E calças de ganga azul.

Assim irias à fonte
- Discreta como se vê -,
Leda e bela ao meu encontro.

E haveria de deixar
Teu rosto ruborizado
Com mil beijos, mil ou mais.

O TEMPO
I
É o tempo
- o inexorável tempo -,
Que atenua a mágoa
E mostra
Quão profundas
Eram as raízes.

II
Um Verão vai
E outro vem.
E neste vaivém,
Decorre
A minha vida.

Esta vida que vai,
Vai e não vem.

III
Lentas,
As nuvens vêm
E vão.

Umas deixam (m)água
E outras não.

Ah, só o Verão,
Esplendoroso,
Alegra
O meu coração.

IV
O Outono

e o Inverno,
Decididamente,
Não!


(inédito)


quarta-feira, fevereiro 09, 2011


A LUSITANA MANIA

A lusitana mania
De esperar por quem não vem
Provoca melancolia,
Muito mal e nenhum bem.

Sempre de calças na mão
Ou esta à esmola estendida.
Tão estranha condição,
Tornou-se um modo de vida.


Era preciso matar
Esse rei Sebastião,
que não pára de enganar
a nossa triste nação!


Ao mito do desejado
Dê-se um combate eficaz.
Traz este país castrado
Ou capado, tanto faz.


(Barata, Manuel, Fragmentária Mente, ed. Alecrim, 2009)

terça-feira, fevereiro 08, 2011

PARQUE URBANO DE SANTA IRIA

FLORES BRAVIAS
O REBANHO

OVELHA CHURRA(?)



DO MEU DIÁRIO

LIVROS E LIVRARIAS
Santa Iria de Azóia, 8 de Fevereiro de 2011 – Nos finais dos anos sessenta, Castelo Branco não tinha – ou eu não me lembro de ter-, uma livraria a sério. E no entanto, lia-se muito na capital da Beira Baixa e coisas com qualidade.


É certo que a Semedo, ao cimo da rua D. Dinis, papelaria e livraria, tinha sempre alguns títulos nacionais e estrangeiros com muito interesse. Foi lá que comprei o meu primeiro Rimbaud e também José Gomes Ferreira, que era então um poeta muito em voga. Nuno Semedo, sempre descaído para o lado da literatura, para além de ser uma pessoa afável, também ia dando algumas dicas em relação a certos títulos e autores.


Porém, creio que o local dos livros por excelência era o quiosque Vidal, onde um tal José Fernandes – é o do Vidal, não o do Eça -, aconselhava e guardava os livros que iam resistindo à brigada dos costumes. O Zé Fernandes lia muito; nomeadamente lombadas, facto que lhe permitia depois fazer as suas próprias sinopses. Acresce que, apesar da sua juventude, José Fernandes era um “jeune homme” de formação democrática.


O quiosque Vidal, que ainda existe, é hoje um sítio atascado de jornais e revistas, com alguns livros ainda nas prateleiras mais altas, mas já não é o ponto de encontro de uma certa intelectualidade albicastrense. Contudo, é talvez o sítio onde se podem encontrar mais publicações de carácter etnográfico.


As papelarias Nogueira, Narciso e S. José, também comercializavam livros; porém, faltava-lhes a qualidade da Semedo e do quiosque Vidal. Ou melhor, ter-lhes-á faltado Nuno Semedo e José Fernandes.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

DO MEU DIÁRIO

LIVRARTE-LIVROS E ARTE
Moscavide, 7 de Fevereiro de 2011 - Eu sempre gostei de livros e de livrarias, e, talvez por isso mesmo, quando vou a centros comerciais com a família, marco sempre o reencontro numa livraria.


Tive uma infância sem livros. O primeiro que aportou a minha casa, para além do manual da 1ª classe, chamemos-lhe assim, foi um livro de capa amarela, escrito em latim, que me foi dado pelo Pe. António Tavares Valente, pároco da Mata, e ainda hoje não sei porquê. Perdi-lhe o rasto sem nunca o ter folheado de fio a pavio, porque o latim só havia de chegar 20 anos depois, em dose económica, com a ajuda do grande linguista, poeta e também padre, de seu nome Tarcísio Alves.


O primeiro grande livro que me chegou às mãos, a obra poética de Manuel da Fonseca, edição da Portugália, foi-me igualmente oferecido. Por um amigo de infância e adolescência, que ainda considero meu amigo, embora não no modo como a amizade era encarada por Frei Amador Arrais. Na verdade, há muitos anos que não vejo o Raul Cabrito Paulo, que, ao que julgo saber, vai dividindo a vida entre Queluz e Malpica do Tejo, no concelho de Castelo Branco.


Depois veio o ano de 1969 e as eleições para a Assembleia Nacional do Dr. Caetano e capangas. E os tempos mudaram, e mudaram muito, ou melhor dizendo, começaram a mudar vertiginosamente, nos planos político, económico e social. E também no que concerne à minha relação com os livros. De 1969 à actualidade, comprei milhares de livros e ofereceram-me centenas. Sou autor de alguns títulos, de méritos duvidosos, e tenho planos para livros futuros, meus e alheios.


Estou convencido de que o cheiro do papel velho ou recentemente impresso e das tintas me hão-de acompanhar até ao fim d vida. Na verdade, "De e com livros tem sido feita a minha vida".

sábado, fevereiro 05, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 5 de Fevereiro de 2011 – Ontem, 4 de Fevereiro, não quis propositadamente falar de 4 de Fevereiro, porque há dois 4 de Fevereiro importantes para mim: o início da guerra colonial em Angola, no já distante ano de 1961, e o desaparecimento de meu pai, em 2009. Portanto, tenho a minha vida ligada ao 4 de Fevereiro e assim continuará a ser, doravante.

No dia 4 de Fevereiro de 1975, há trinta e seis anos, portanto, eu estava em Luanda e estava doente. Já não sei qual era a maleita, mas estava doente. Cumpria o serviço militar obrigatório na CCS de um batalhão importante, o 4511, comandado já por Francisco Granjo de Matos, tenente-coronel de infantaria. Tinha interrompido, voluntariamente, pela primeira vez, a minha actividade de fumador, que durou até Julho desse ano.

O meu batalhão estava sedeado no GAC-1, em Alvalade, ali a dois passos do cinema com o mesmo nome e da emissora oficial de Angola. Tinha quarto num dos últimos edifícios construídos pelo exército português, naquelas instalações militares, quase junto à rede da estrada que dava acesso ao aeroporto e a outros quartéis, nomeadamente os Adidos e a PM. E tudo isto vem a propósito do 4 de Fevereiro de 1975, pois foi naquele dia que regressou a Luanda o autor de Sagrada Esperança, António Agostinho Neto.

O desfile durou horas: muitas centenas de camionetas carregadas de nativos, centenas de milhar de pessoas desfilando e dançando com os seus melhores trajes e cantando canções autóctones, numa poderosa manifestação de patriotismo e desejo de independência. Apesar de estar doente, sentei-me nas traseiras do edifício e fiquei horas a gozar também o regresso do mítico dirigente do MPLA. Mais tarde foi o regresso de Savimbi. Holden Roberto, que mais tarde havia de nos surgir como um velho simpático, nunca chegou a regressar.

A esta distância, e numa análise sem paixão, acho que tudo valeu a pena, ainda que muitos dos dirigentes de Angola se tenham revelado mais tarde verdadeiros tiranos, verdadeiros crápulas, verdadeiros bandidos. Naquele contexto, todavia, não havia volta a dar. Todos nós estávamos cansados e aqueles territórios não eram, de facto, o prolongamento do Portugal europeu.


sexta-feira, fevereiro 04, 2011

COM O NETO JOÂO
Santa Iria de Azóia, 4 de Fevereiro de 2011 – À hora a que alinhavo estas linhas, sei bem que minha mãe lá estará na Mata, de lágrima ao canto do olho, só e corroída de saudades. Faz hoje dois anos que deixámos o meu pai no Campo da Verdade. E neste dia, mais uma vez, fico a dever-lhe um ramo de flores.
Eu recordo o meu pai com uma enorme saudade. É certo que não era dado a grandes manifestações de ternura; porém, por detrás daquela máscara, por vezes rude, existia um homem imensamente sensível e um bom, capaz de abundantes gestos de generosidade, que incluíam mesmo aqueles que não eram da nossa família. Na nossa casa, quem entrava era bem tratado.
Não sei se a Filipa se lembrará, hoje, do avô. Provavelmente sim e é capaz de telefonar e falar com a avó. Os restantes familiares, entretidos com as suas importantes vidas e com as suas importantes pessoas, não se lembrarão. E se calhar é assim mesmo que deverá ser, que a comiseração não faz bem a ninguém. Também não tenho intenções de falar mais, hoje, deste assunto, a não ser com minha mãe, com quem falo todos os dias e por vezes mais do que uma vez.
E aqui ficam estas palavras desajeitadas, que é a forma que tenho de prestar uma homenagem a uma das pessoas que mais amei.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

LISBOA GOSTA DE FARRA

Lisboa gosta de farra,
Festeja todos os santos.
É como a leda cigarra,
Não vai com choros e prantos.

Com ar triste canta o fado
- Faz parte da convenção –
Bebe um tinto, passa ao lado
E lá se vai a paixão.

Velha Lisboa querida,
Sempre leal e valente,
Sempre audaz e destemida
E ilustre resistente.

Nas curvas mais apertadas,
Faz das tripas coração.
Vence! Águas passadas,
Volta à sua vocação.

Ora séria matrona,
Ora mocinha garrida,
Tratada por tu ou dona,
É alegre e divertida.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

É TÃO FELIZ O MEU AMOR

Esta quadra é um primor
- Tem perfeita construção -.
É pra dar ao meu amor,
Que trago no coração.

Há quem dê flores e rosas
E outras coisas de valor.
Eu só dou versos e prosas
E é tão feliz o meu amor.

Meu amor pede-me versos
Para animar o serão.
Já anda farta de terços
Rezados sem devoção.

E assim vamos vivendo,
Em paz e muita harmonia,
O coração entretendo
Com afagos de magia.

sábado, janeiro 29, 2011

PEQUENA HOMENAGEM

João Teixeira, ao centro, de cachecol, na sessão de lançamento de
FRAGMENTÁRIA MENTE de Manuel Barata, de pulôver encarnado.
Quadra bem João Teixeira
- Oh, que belas quadras faz! –
Ironia de primeira,
Em ritmo calmo e sagaz.

Eu gosto deste poeta
Do “coisismo” já chamado.
Para mim tem a faceta
De ser firme e delicado.

Usa o verbo com mestria
E cada dia melhor.
É do Alentejo a magia
Deste poeta de valor.


(Manuel Barata, Inéditas)
CASAS DE ALTERNE


Entro nas casas de alterne
Por obrigação profissional;
Mas topam imediatamente
Os frequentadores habituais
E aquelas noctívagas mulheres
Quão estranho me sinto e sou
Dentro de tais aquários.
Lisboa tem para todos os gostos
E para todas as carteiras:
Moldavas, lusas, brasileiras,
De cabelos pretos, ruivos, loiros.
O à-vontade ganha-se indo,
Os pidgins aprendem-se falando.
O fundamental é ter pilim!




domingo, janeiro 23, 2011

TERRAS DO MUNDO C. BRANCO)

PRAÇA VELHA(CAMÕES)
PRAÇA VELHA (CAMÕES)

CENTRO DA CIDADE (G. CIVIL)

EDIFÍCIO DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS
Castelo Branco é cidade
De muito frio e calor.
Rica terra, na verdade,
Pra viver c'o meu amor.




TERRAS DO MUNDO (MATA-CASTELO BRANCO)



CAPELA DE S. PEDRO AO CIMO
OLIVAIS TRADICIONAIS



sábado, janeiro 22, 2011

TERRAS DO MUNDO (MATA-CASTELO BRANCO)

A MINHA ESCOLA PRIMÁRIA - É A ESCOLA DO PROJECTO BELGAIS
Rua do Arrabalde

Rua do Adro


Minha Mata solitária
Eu jamais te olvidarei;
Não és muito solidária,
Mas és ladina, bem sei.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 19 de Janeiro de 2011 – O caso Castro continua a encher espaços informativos nas televisões e a coisa parece estar para durar. Basta que o presumível assassino não se declare culpado e, por mais célere que seja a justiça americana, teremos festim com duração imprevisível. Na verdade, algo fede neste velho reino da Lusitânia.

A campanha para as presidenciais tem sido ofuscada por este caso macabro, que as televisões, quais abutres, não largam. Não me espantará, portanto, que a abstenção aumente ou que os portugueses, hoje menos exigentes do que ontem, vão votar maioritariamente num candidato medíocre. O caso Castro até vai distraindo os portugueses do endividamento do país e do modo como o governo tem estado a lidar com o problema.

Eu queria que esta campanha fosse viva e esclarecedora. Eu explico melhor: gostava que o presidente de Portugal, que volta a ser candidato, pudesse esclarecer cabalmente as questões que lhe têm sido postas, sim, as de natureza patrimonial, para que quem nele vota não o faça só porque sim. E gostava também que todos esclarecessem os portugueses sobre matérias como a educação, o estado social, a justiça, etc.

Tenho dúvidas, se o resultado for o que é espectável, que o presidente de Portugal, que não o de todos os portugueses, possa cumprir até ao fim o seu mandato. Se tudo o que há para esclarecer não for esclarecido até sexta-feira, sê-lo-á mais tarde ou mais cedo e com graves custos para Portugal. A não ser que aceitemos definitivamente que a nossa pátria é uma república das bananas.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

DO MEU DIÁRIO

Moscavide, 11 de Janeiro de 2011 - Imbecilizada, a populaça entretém-se com o assassinato de Carlos Castro, um cronista social. Para esta adesão doentia muito têm contribuído os media, nomeadamente as televisões, que servem deste menu doses exageradas.

Para dizer a verdade, vi a vítima duas ou três vezes na televisão e não apreciei o género. Posso até dizer que, se tivesse morrido sem alarido, nunca mais me lembraria do cronista dito social. De resto, como não me lembraria de muitas outras figuras das revistas cor-de-rosa e da tv. Não fazem o meu género. Ponto. Lembro-me da morte de Luís Miguel Nava, um grande poeta português, e não me recordo de tanto “arroído”. Escrevia versos e morreu em Bruxelas.

Enquanto esperava para fazer um electrocardiograma, hoje, em Moscavide, ouvi um relato do caso de Nova Iorque, aos solavancos, com a justiça de permeio, que me arrepiou durante vários minutos. Nas televisões, nos jornais e nas redes sociais, posso evitar o caso; porém, o pior é quando somos assaltados assim, desarmados, numa sala de espera.

Ainda me apeteceu pedir à mulher para se calar; no entanto, mandou o decoro que me mantivesse em silêncio, que a língua daquela nossa concidadã poder-me-ia aspergir com o seu, por certo, letal veneno.

domingo, janeiro 09, 2011

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 9 de Janeiro de 2011 – Quando viajo por esse país fora, fico contente quando vejo os campos lavrados, as oliveiras limpas, a cortiça tirada, manadas ou rebanhos a pastar. Sinto a mesma emoção na Beira Baixa, no Alentejo e noutras regiões de Portugal.


Antes de sermos um país mais ou menos industrializado, fomos um país rural. De resto, a minha infância foi passada na Beira Baixa, em contacto com o campo e com as actividades ao campo ligadas. É por isso que me alegro quando vejo os campos tratados e entristeço quando os vejo abandonados.


Sei bem quão difícil é a vida do campo; sobretudo, onde os homens e as mulheres têm que fazer todo o trabalho. Sei quanto custa colher azeitona à unha, de sol-a-sol; sei quanto custa tratar das hortas nas leiras da sobrevivência; sei quanto custa tratar do gado - ainda que a antiga transumância tenha desaparecido -, na região onde nasci. Compreendo, portanto, as razões primeiras da desertificação do interior e a consequente litoralização de um país inteiro.


Nos últimos tempos, com a crise instalada, tem-se falado na necessidade de fazer aumentar a produção agrícola nacional. Tem-se falado, igualmente, na necessidade de olhar de novo para o mar. E creio bem que esses sejam os caminhos que terão que ser percorridos. Ter-se-á que voltar aos sítios de onde se partiu ou a onde deixou de se ir. Agora, certamente, com sacrifícios redobrados.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

DO MEU DIÁRIO


Lisboa, 3 de Janeiro de 2011 – De Vila Nova de Milfontes até Monforte, o Alentejo oferece ao viajante uma multiplicidade de rostos. Enganam-se, portanto, todos os que dizem que o Alentejo é monótono.
Ainda ontem, quando fui de Évora para Viana, a fim de visitar o meu amigo João Teixeira, pude apreciar a variedade da paisagem: mansas ovelhas aqui, vacas e mais vacas além, agora porcos pretos, e, a seguir, mais vacas, toiros e porcos. E muitas cegonhas, vaidosas, que tanto apreciam as alturas e têm o privilégio de lhes construírem as casas. Disse-me o João Teixeira que os pardais, finos como a pólvora, se aproveitam, à grande, das mordomias concedidas às cegonhas.
Logo à saída de Évora, o viajante é surpreendido pela presença de eucaliptos, ainda rasteirinhos, junto às bermas da estrada; porém, a seguir surgem os pinheiros mansos, que mais à frente dão o lugar aos sobreiros e às azinheiras. E também às inevitáveis e quiçá multi-centenárias oliveiras.
Finalmente Viana - onde o poeta João Teixeira vive há vários anos - e a alegria de um reencontro. E pela primeira vez, nos últimos anos, nem uma única palavra acerca de livros. Pois as conversas, como já atrás ficou dito, também se fazem de seres como cegonhas e pardais.

DO MEU DIÁRIO


Évora, 1 de Janeiro de 2011 – Acordei tal como entregara o corpo a Morfeu: cansado e apreensivo.
À partida, a chegada de um Ano Novo costuma ser celebrada com alegria; no entanto, ainda que o Ano Velho não me tenha deixado saudades, e desejasse vê-lo pelas costas, este que agora se inicia não augura grandes coisas.
Haja saúde e aguardemos todos, eu disse todos!, o 2012 com mais optimismo.

Évora, 2 de Janeiro de 2011 – Manhã cinzenta, em Évora, a condizer com o nevoeiro que envolve a minha alma – essa que vou construindo paulatinamente (olá Isabel Mendes Ferreira!, um bom ano para si) -, neste começo de Janeiro.
Do local onde escrevo, vêem-se os cocurutos de igrejas de Évora. E também da catedral, que ontem se encontrava de portas fechadas, o que já se tornou uma rotina e uma fatalidade.
Pela primeira vez, estive, ontem, no Redondo, que os irmãos Salomé celebrizaram. Uma terrinha simpática com muitas casas listadas de azul (barrões azuis), onde ainda ardia o madeiro natalício. E muitas laranjeiras bravas que, para além de serem um elemento decorativo interessante, me trazem à memória moiras encantadas.
Moiras encantadas! Vá-se lá saber porquê…