Erguendo os braços para o céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: — «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inestinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente Do nada e do que ainda não existe, Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?» Mas os deuses, com voz inda mais triste, Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
Obrigado pelas vossas visitas. A foto do Antero foi publicada a pedido - ou mais ou menos- do Daniel Abrunheiro. Disseram-me que o poeta teve casa em Santa Cruz e eu pensei cá para os meus botões: açoreano habituado a neblinas estivais, uma Casa em Santa Cruz ia que nem ginjas como alimento para o seu exílio continental. É apenas uma tentativa de explicação.
3 comentários:
Divina Comédia
Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inestinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
Antero de Quental, in "Sonetos"
Abraço
João
Maestro,
Regressada de férias, vim deixar os meus cumprimentos cheios de saudades destes cantos deliciosos, onde partilha tanto com todos nós.
Obrigado pelas vossas visitas.
A foto do Antero foi publicada
a pedido - ou mais ou menos- do Daniel Abrunheiro.
Disseram-me que o poeta teve casa em Santa Cruz e eu pensei cá para os meus botões: açoreano habituado a neblinas estivais, uma Casa em Santa Cruz ia que nem ginjas como alimento para o seu exílio continental.
É apenas uma tentativa de explicação.
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