quinta-feira, outubro 25, 2007

DO MEU DIÁRIO (MANUEL COSTA ALVES)

Sesimbra, 22 de Julho de 2003 – Acabei de ler, na praia, o livro Podia Ser de Outra Maneira, da autoria do meteorologista Manuel Costa Alves. Albicastrense de gema, Costa Alves foi a agradável surpresa destas férias: ideias interessantes e uma prosa escorreita, aqui e ali salpicada de expressões bastante pitorescas. “Pagar as favas” e “tuta e meia”, são apenas duas das que retive.

Achei divertido o facto de ter detectado muitos pontos de contacto entre as preocupações e apreciações de Costa Alves e as minhas, apesar de nos separarem oito anos no calendário. Quem ler o meu livro Quadras Quase Populares ou o meu Diário há-de notar, seguramente, inúmeros pontos de contacto.

Aquela série de conversas entre um eu e um tu, em que o autor parece querer emprestar um carácter ficcional às suas apreciações acerca dos problemas que dominaram o mundo na segunda metade do séc. XX, é apenas a forma encontrada para conferir vivacidade às múltiplas narrativas que compõem o livro. Ainda que o processo possa remontar à antiguidade helénica ( quem é que não se lembra de um tal Platão e dos seus não menos célebres diálogos? ), é receita certa para prender o leitor do princípio ao fim ou do fim para o princípio, porque assim poderá ser lida a obra.

A unidade há-de o leitor encontrá-la precisamente naquela pretensa forma de dialogar com que o autor pretende fazer passar um longo monólogo, onde perpassam o “tempo de chumbo” da ditadura, reflexões acerca dos mitos portugueses, guerra colonial, Revolução de Outubro (aliás de Novembro), Guerra Civil de Espanha, religião, ciência, etc. E também naquele tom civilizado e amável que, na minha humilde opinião, é privilégio dos sábios.

Obrigado, Costa Alves!
Obrigado, Ulmeiro!
Obrigado, Zé Ribeiro!

2 comentários:

José Antunes Ribeiro disse...

Esta Ulmeiro ainda publicou uns livritos...reparo eu, agora!...

Manuel da Mata disse...

Sendo criação tua, deves sentir orgulho. Publicaste de facto uns livritos, mas podias ter publicado mais ainda.
É do destino dos poetas criar, criar, criar... Porém, há coisas mais comezinhas a que os poetas normalmente não ligam. E depois...
Um abraço, amigo Zé!

PS- Vou a Castelo Branco e não tive oportunidade ainda de socorrer o teu/meu amigo Ramiro.
Amanhã.