segunda-feira, outubro 08, 2007

DO MEU DIÁRIO

Rememorando um mestre.
Santa Iria de Azóia, 15 de Outubro de 2002 – Mário Castrim, antigo professor de caligrafia, mas principalmente um grande utilizador da língua portuguesa e um excelente crítico de televisão - quiçá o melhor e mais profícuo de todos os que fizeram crítica televisiva em Portugal - , deixou-nos hoje definitivamente.

Aprendi a ler e a respeitar Mário Castrim nos idos de sessenta do século passado, quando a Pátria era governada pelos manholas do Estado Novo e os portugueses eram vigiados até na intimidade pelo aparelho repressivo do dito.

As crónicas de Mário Castrim, quase sempre truncadas pela censura, constituíam um hino à inteligência e à liberdade. Valiam sobretudo pelo desassombro das suas opiniões e pela graça do seu estilo – essa coisa que individualiza e que é a nossa única e verdadeira propriedade como diria um tal Carl Marx -, com que iludiu, frequentemente, os argutos coronéis do lápis azul. Castrim foi, não raras vezes, a brisa que passava e refrescava os nossos corações.

De Aveiro, só podia ser velado na igreja de Santa Joana Princesa.

1 comentário:

Alex disse...

http://anonimosecxxi.blogspot.com/2006/04/ao-menos-essa-tem-cavalos-o-que-sempre.html



Lembro-me do meu avó me falar do lápis azul, de como os cronistas eram silenciados por prévias leituras de aprovação ...

Espreite o link Manuel.