quarta-feira, junho 27, 2012

DO MEU DIÁRIO

entrada norte de Castelo Branco

Santa Iria de Azóia, 27 de Junho de 2012 - O quiosque Vidal, era, nos anos sessenta e setenta do século passado – até ao 25 de Abril -, o “sítio” onde se podiam adquirir as principais revistas do país e também alguma da melhor literatura que se ia fazendo em Portugal.

Não admira, assim, que o quiosque Vidal fosse o local de encontro de quem lia e de quem procurava aquela documentação oposicionista que a bondade do regime do guarda-livros do Vimieiro, e depois do “conversas em família”, ia deixando circular. O senhor Vidal era um homem bastante alto e muito teatral, que, creio, também tinha um negócio de padarias. E o seu empregado, o Zé Fernandes, era não só um grande leitor de lombadas; mas, também, um leitor atento de alguns dos melhores autores romanescos, portugueses e estrangeiros.

Eu soube há dias que o Zé Fernandes, que morava, quando o conheci, numa daquelas casinhas pequeninas do bairro da Horta de Alva, já fez a última viagem. Fomos amigos muitos anos, e apesar das diferentes opiniões que tínhamos acerca da vida e do mundo, nunca deixámos de nos tratar com estima e cordialidade. Partilhámos o vinho e o pão vezes sem conta. E ainda me lembro de ter comido rabanadas na casa dos pais do Zé Fernandes, gente do Porto, numa noite em que cantávamos as Janeiras nas ruas de Castelo Branco.

Eu tinha decidido falar de jornais e ardinas e acabei a falar do quiosque Vidal e do Zé Fernandes. Fica provado que, na verdade, as conversas são como as cerejas. É que nem de propósito: estamos no tempo delas.

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