segunda-feira, maio 17, 2010

DO MEU DIÁRIO


Santa Iria de Azóia, 17 de Maio de 2010 – Este mês de Maio, que normalmente decorre morno e sem histórias, será recordado durante muitos anos como o mais terrível da nossa História recente. Tantas e tão gravosas são as medidas anunciadas, que as almas mais crentes poderão ser levadas a crer que estamos no fim do Tempo.

Parece nada escapar à fúria da governação e da oposição que se prepara para governar. Aumentam-se os impostos, cortam-se as despesas e anunciam-se outras malfeitorias para os do costume poderem continuar a dançar o tango. O tango da tanga para os dos costume, mas não para quem conduziu o país ao descalabro presente.

Pouco me interessam as opiniões dos ex-ministros das finanças e de outros actores da cena política actual. Pouco me interessam as opiniões de economistas, que sabem fazer contas, mas que parece desconhecerem que em matéria de economia não basta saber que três vezes nove são vinte sete, como dizia o meu amigo António Raimundo. Pouco me interessa o destino de Sócrates e de todos os Sócrates, que, decerto, sempre há-de ser melhor do que o da generalidade dos portugueses.

Interessa-me muito, no entanto, que as leis não tenham carácter retroactivo e que muitos dos beneficiários de reformas principescas, que agora debitam receitas para os outros, não sejam também atingidos como aqueles que no presente, trabalhando, garantem essas mesmas reformas. Interessa-me muito, no entanto, saber onde os políticos no activo e ex-ministros e outros políticos e também administradores de empresas públicas, têm o seu dinheiro depositado. Interessa-me muito saber, porque têm sido silenciados os escândalos do BPN e do BPP.

Interessa-me, por exemplo, que Portugal não seja um país transparente e solidário. Interessa-me que Portugal não seja o lodaçal onde os pescadores de águas turvas vão pescando a seu favor e a seu bel-prazer.

É que a crise não é para todos e os bois têm de ser chamados pelos nomes.

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