Conheço um homem, a quem nunca tive a amabilidade de dedicar uma linha de humilde prosa, e que merece todo o respeito do mundo. Com sete anos, quando deveria aprender as primeiras letras e a tabuada, já calcorreava, descalço, caminhos e veredas, fragas inóspitas, atrás de um rebanho.
Sempre o ouvi dizer - e a minha avó confirmava -, que fora o primeiro patrão que lhe fizera as primeiras botas.
Porém, não estva talhado para a bucólica profissão de guardador de rebanhos, para tanta solidão. Analfabeto, já com dezoito anos, comprou uma pasteleira e fez-se aprendiz de construtor de casas. Pedra a pedra, tijolo a tijolo, ajudou a construir centenas de lares, ganhando a vida e espalhando conforto.
Nunca deixou, apesar das inúmeras voltas que a sua vida deu, que em sua alma morresse o amor pela Natureza. Teimoso, continua a trabalhar a terra, que já fora de seus avós, arrancando-lhe saborosos frutos.
Penso que não deve nada à Pátria e que a Pátria nada lhe deve. Pertence a um género de portugueses que ama e sempre amou Portugal sem condições.
In FRAGMENTOS COM POESIA de Manuel Barata, Ulmeiro, Lisboa, 2005.
4 comentários:
Bom dia, Manel
Para o Mestre João Barata também a minha saudação e um abraço do
João Teixeira
Penso que...
Belas palavras!
Os pais merecem, por norma, todo o respeito do mundo.
Boa Páscoa
Abraço, MJ
Obrigado a ambos os comentadores, que,
antes de mais, são dois amigos.
Abraço a ambos e uma boa Páscoa.
Manuel
boa noite manuel, que linda foto, bela homenagem de amor e respeito, toca-me muito, é bonito. Abraço de Paris, Pascoa feliz! bjos, LM
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