terça-feira, novembro 16, 2010

ARIADNE - I

Ariadne chorou,
Chorou muito sentida,
Quando Teseu,
Sem uma palavra,
A deixou.

Podia ter chorado
O novelo do fio
Ou a espada
Que lhe deu. Não.
Ariadne chorou,
Traída e magoada,
O modo
como Teseu zarpou:
Sem uma carícia,
Sem um gesto,
Sem uma palavra.

ARIADNE -II

Quisesses tu,
-Ó doce filha de Minos - !
Dar-me
Por amor
Um novelo de fio
Igual ao de Teseu...

Desvendados os mistérios
Do meu labirinto,
Num veleiro de sonho,
Sem hesitação,
Levar-te-ia
Onde nos levasse
O coração.

Manuel Barata, FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lx., 2005

3 comentários:

IMaria disse...

Invadi o seu espaço. espero não incomodar. Mas gostei de espreitá-lo e de o ler.

isamaria

Manuel da Mata disse...

É sempre grato sabermos que somos lidos e que não desapontamos os que se dão a esse trabalho.
Tudo bom para si IMaria.
Manuel

Alex disse...

Então é esta a Ariadne que o Manuel quer levar na caravela.
Espantoso, Manuel.