quinta-feira, julho 01, 2010

PALAVRAS PERDIDAS

Há quanto tempo, mãe, não te falo de amor
Com aquelas palavras de encantar
Com que as crianças falam do amor?

Há dias corei de vergonha,
Corei de vergonha quando li,
Num livro de cartas de Saint-Exupéry,
As palavras mágicas que ele escreveu a sua mãe
E que eu nunca te disse a ti.

Deixei que entre nós se interpusesse
Um pudico silêncio ancestral
E disse-te apenas coisas imediatas e triviais.

Eu esqueci, mãe, aquelas palavras claras e pueris
Que tanto alegravam o teu coração.

Eu coro de vergonha, mãe!


Manuel Barata, FRAGMEMTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lx. 2005

3 comentários:

João de Sousa Teixeira disse...

Não tarda, "Mata(s)" saudades...
Abjoão

IMaria disse...

as palavras que sempre ficam por dizer às nossas mães. Uma pena! Elas gostariam de as ouvir.......

Manuel da Mata disse...

Há aqueles muros que se interpõem entre filhos e mães e também entre filhos e pais.
Sim, é pena. Obrigado por ter vindo aqui.