domingo, outubro 03, 2010

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 3 de Outubro de 2010 - Os aumentos de impostos e os cortes nos salários da função pública, anunciados na semana passada, deixaram o país em estado de choque. Sim, em estado de choque, porque só assim se justifica o silêncio do povoléu e o coro das cassandras a prever desgraças futuras.

Apesar da brutalidade das medidas anunciadas, parece haver unanimidade por parte dos comentadores habituais quanto à insuficiência das mesmas. Tudo isto quer significar que as discursatas vão continuar, até ao estoiro final das muitas regalias dos funcionários públicos e do povo em geral. Em nome do deus mercado e da deusa competitividade, Portugal corre assim o risco de se tornar numa espécie de Somália.

Sócrates, no momento presente, já não conta muito para uma solução dos problemas do país. Cada solução deste governo já é uma não solução. E as soluções do outro partido do chamado centrão não são aquelas de que o país precisa e merece. Ele diz que garante, garante, garante, mas já não tem ele mesmo prazo de validade para nos desgovernar. A realidade, que é quase virtual, desmente-o na hora seguinte.

Passos Coelho pediu desculpa aos portugueses pela assinatura do PEC dois ou um ou lá o que foi e prometeu que não alinharia em aumentos de impostos futuros. Em nome de uma pretensa estabilidade política, vai deixar passar o OE para 2011. Tornar-se-á assim cúmplice, porque já o era anteriormente, desta desgraçada política que só nos conduzirá ao abismo. Em vez das desculpas, era preciso pedir alto e bom som, porque tem meios para isso, o fim dos organismos que empregam amigalhaços e que consomem fortunas. Que diga também, alto e bom som, que as trapaças do BPN e do BPP foram obra de gente do centrão, onde pontificavam destacados militantes do PSD e ex-governantes.

Portugal está-se a tornar um sítio perigoso. Um lugar de medo!