
sábado, agosto 01, 2009
DO MEU DIÁRIO

Charneca da Cotovia, 30 de Julho de 2009 – É uma questão de amor e as questões de amor não se discutem. Amo Sesimbra como se fosse a minha terra natal. E no entanto, não tenho amigos nesta vila ribeirinha que tanto me seduz.
Comecei a vir a Sesimbra no já longínquo ano de 1973 do século passado. Com o meu tio José Batista. E lembro-me perfeitamente do dia em que fui picado por um peixe-aranha. Podia, obviamente, ter cessado aqui a minha relação com esta simpática vila piscatória; mas às vezes, até me parece que a picada contribuiu para este longo amor.
E como não sou homem para traições, enquanto as pernas mo permitirem, hei-de vir a Sesimbra. Nem que seja para jantar no Tony Bar ou no Velho e o Mar, cujas montras de peixe me fascinam quotidianamente. Ou na Toca do Leão, onde vou com alguma regularidade.
Sesimbra sempre!
DO MEU DIÁRIO
Charneca da Cotovia, 29 de Julho de 2009 – As férias estão a chegar ao fim e não fiz nada das muitas coisas que tinha para fazer. Dormi mais algumas horas do que é costume, fiz de cozinheiro da família e dediquei-me a esta prosa ensossa, que o Manel Ramos nunca encaixou. Eu explico.
O Manel Ramos, que morreu agnóstico há já vários anos, perguntou-me inúmeras vezes a razão pela qual eu escrevia um Diário. Pensava o sábio homem que estes escritos só têm importância quando são escritos por celebridades. Era uma opinião, entre outras, que nunca me levou ao abandono deste meu querido Diário.
Incompatibilizámo-nos alguns meses antes da sua morte, que ninguèm fez o favor de me comunicar. Eu conhecia a ex-mulher, que depois voltou a ser mulher, creio, o irmão António Ribeiro, que foi professor da Faculdade de Ciências, e antigos colegas do Externato Ergon, onde ambos leccionámos. Incomtibilizámo-nos porque o Manel tinha mau feitio e eu também. Guardo dele algumas dezenas de cartas e postais, alguns poemas inéditos e a página da sua autobiografia, onde fala de mim. Uma autobiografia em latim, que não sei se chegou a terminar. Dotado de uma inteligência invulgar, perdia-se com pequenas coisas e com coisa nenhuma. Tinha excesso de inteligência e uma preguiça crónica. As cartas, por vontade do próprio, nunca serão publicadas.
Foi um dia bonito e refractário à rotina. Recebemos a visita de um casal amigo, com o qual partlhámos a nossa humilde mesa e tivemos uma vasta e agradável conversa, sob o olhar distante, calmo e fresco da Arrábida. Ponto.
DO MEU DIÁRIO
Charneca da Cotovia, 28 de Julho de 2009 – Dentro de algumas horas, Costa e Santana Lopes irão debater(?), diz-se, as suas ideias para a Câmara Municipal de Lisboa. Temo que não se debata coisa nenhuma, porque tirando questões de pormenor, estes artistas da política não terão muito para debater.
O Menino Guerreiro, que para desgraça nossa até já foi primeiro-ministro, desenrolará um imaginário pergaminho donde constarão as suas múltiplas realizações pretéritas. Tentará com velhos truques retóricos seduzir os lisboetas que, tendo memória curta, até são capazes de se deixarem enrolar de novo. Gostava que lhe perguntassem se se contentaria com um carrito de catorze ou quinze mil contos, mesmo que pudesse ter uns extras como um rádio/ leitor de CD(s), uma mini-televisão e até um frigorificozinho para umas garrafas de água das pedras, porque o senhor tem ares de ter digestões difíceis e até alguns enjoos.
Costa, que foi número dois do governo de Sócrates, vai tentar distanciar-se o mais possível do seu ex-chefe e camarada e também dos seus outros amigos e camaradas no governo, nomeadamente de Mário Lino e Rui Pereira, e reafirmar que encontrou as finanças camarárias em estado clamitoso e que restituiu a confiança dos fornecedores e que tem a casa arrumada.
É óbvio que se eu fosse eleitor em Lisboa nunca votaria em nenhum destes senhores. Votaria em Rúben de Carvalho, que é sério e competente, apesar de ser sportinguista como Santana e como o administrador da empresa de contentores, ou seja, Jorge Coelho. Mas como política é política, Rúben teria o meu voto.
Se não houver contratempo de última hora, vou assistir a este debate do princípio até ao fim, porque o espectáculo promete. Por parte do coveiro do grupo PEI, nomeadamente.
DO MEU DIÁRIO
Sesimbra, 27 de Julho de 2009 – No mesmo jornal, Joaquim Ferreira do Amaral, que foi ministro do senhor Professor Doutor, vem dizer-nos que o défice futuro já não pode ser resolvido à custa dos impostos, porque o Estado já “rapou” o que havia para rapar. Apetece-me dizer (lhe): olha quem fala.
A mim, francamente, não me agrada que o problema tenha que ser resolvido através dos impostos; quer-me parecer, no entanto, que não temos outra solução. E era bom que àqueles que mais têm rapado, lhes seja agora rapado para não andarem permanentemente a rapar enquanto políticos e depois como gestores de empresas públicas e privadas.
Estes tratadores de vidas, das deles e das nossas, por obediência a uma ética de senso comum, deveriam estar com as boquinhas bem caladas.
DO MEU DIÁRIO
Sesimbra, 26 de Julho de 2009 – No “Económico” de ontem Carla Galrão assina um texto sob título “Cinco anos depois Sócrates insiste na “modernidade””. A este título impõe-se a pergunta seguinte: e porque não havia Sócrates, cinco anos depois, de falar de modernidade?
Até parece que a modernidade acontece por obra e graça do Divino e Espírito Santo e que se fica moderno para a eternidade. Eu percebo o ponto, mas jamais negaria a alguém o direito de insistir na modernidade. Esta constrói-se no dia-a-dia, pugnando pelo novo e aceitando-o, sem quaisquer complexos.
Ou será que quem falou um dia de modernidade fica impedido de reincidir no uso da palavra? Ou esta fica guardada para uma antiga ministra da educação e depois também das finanças, que não poderá ser recordada propriamente por ser uma pessoa moderna e adepta da modernidade?
sábado, julho 25, 2009
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 24 de Julho de 2009 – Os dirigentes do Benfica, Rui Costa incluído, têm revelado uma pujança contratual notável. Vamos ver se,com a vinda de tantos nomes sonantes, Jorge Jesus vai conseguir construir uma equipa talhada para competir e ganhar títulos.
O ano passado, chegaram Suazo, Aimar, Reys, Urreta e Balboa. E isto para só falar de estrangeiros. A equipa foi sempre ume espécie de manta de retalhos, quer no plano interno, quer nas competições europeias. Acabou o campeonato com enormes dificuldades. Este ano, tudo é recomeçado e com a total disponibilidade de associados e adeptos. A esperança é a última coisa a morrer, diz-se, e eu quero acreditar que este ano vai ser melhor. Aimar está bem fisicamente; Saviola parece querer e tem qualidade indiscutível; Xavier Garcia custou sete milhões; Welton veio, rescindindo com o seu clube, logo que lhe falaram; o mesmo se poderá dizer de Júlio César. Portanto, há razões para algum optimismo.
As coisas, no entanto, não dependem só dos dirigentes, jogadores e equipa técnica. Há factores que o Benfica não consegue controlar. Nomeadamente os senhores do apito, que o Benfica, e muito bem, fez sentar no banco dos réus. É certo que a coisa não deu em nada, porque em Portugal estas coisas nunca dão em nada, quando se trata de matérias desta natureza. Mas foram incomodados e ganharam alguns sustos. E aí os temos de novo a fazer das suas.
Há ainda os senhores comentadores das televisões, manhosos até dizer chega, sempre prontos a dizer mal e a descobrir defeitos na equipa do Benfica, Os rivais da 2ª cidade do país, mesmo quando jogam mal, constituem sempre uma grande equipa, um supremo modelo de virtudes. Aprenderam nos aviões e no antigo estádio das Antas que, não respeitando os donos da casa, a questão podia ser resolvida com uns murros no trombilo.
Pesquise-se e leia-se a imprensa dos anos do início da grande marcha.
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 22 de Julho de 2009 – Eu já tive muitas surpresas ao longa da vida, que, não sendo longa, leva já algum comprimento; porém, como olho para as coisas e para a vida com os olhos da eterna criança que teima a viver comigo (como é que Caeiro diria isto?), vou-me deixando surpreender quotidianamente, achando graça até às coisas de graça mais improvável.
E vem este aranzel a propósito de um nome de rua, na localidade de Cotovia, a caminho do parque de campismo Valbom. E que nome e poeta, pois é de um poeta que se trata,havia de ter nome num quase pinhal, nesta localidade ornitológica, do concelho de Sesimbra?
Rosalía de Castro, caro leitor! Nem mais nem menos, Rosalía de Castro! Aqui perto de Sesimbra… na Cotovia!
terça-feira, julho 21, 2009
DO MEU DIÁRIO
Sesimbra, 20 de Julho de 2009 – Cá bem no fundo, também eu poderia dizer como o Eça: francês quase em tudo.
Vivi em França; li o que tinha a ler dos franceses, de Villon a Camus; delicio-me com os queijos e as “pâtes” franceses; acho o humor francês o máximo. Voltando aos livros, quero aqui deixar dois nomes: o do árabe Tahar Bem Jelloun e o de Catherine Clément, que considero muito interessantes.
Diferentemente de Eça, nem o fado, ou fadinho, me comove. Mas confesso o meu imoderado gosto por bacalhau cozinhado de dez maneiras diferentes. De preferência à Brás e à Gomes de Sá. Também no forno, com espinafres. E ainda e também de cebolada, nos Rochas, às quartas-feiras. Com um tinto reserva da Casa de Santar.
Vivi em França; li o que tinha a ler dos franceses, de Villon a Camus; delicio-me com os queijos e as “pâtes” franceses; acho o humor francês o máximo. Voltando aos livros, quero aqui deixar dois nomes: o do árabe Tahar Bem Jelloun e o de Catherine Clément, que considero muito interessantes.
Diferentemente de Eça, nem o fado, ou fadinho, me comove. Mas confesso o meu imoderado gosto por bacalhau cozinhado de dez maneiras diferentes. De preferência à Brás e à Gomes de Sá. Também no forno, com espinafres. E ainda e também de cebolada, nos Rochas, às quartas-feiras. Com um tinto reserva da Casa de Santar.
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 19 de Julho de 2009 – Gosto muito do mar e não me puxa o corpo para os areais. Vá lá um homem perceber a sua própria natureza: gostar de mar e não gostar de praia. O que me vale este ano é que o João vai com a senhora sua mãe disfrutar da fresquidão marinha e eu posso ficar na esplanada a olhar para aquela imensidão de azul ou para os abrunheiros, a contas com os meus pensamentos.
Esta tarde foi diferente. Fiquei no parque, na minha modesta “datcha”, dormitei um pouco e depois revisitei a Madame de Bovary, de um tal Gustave Flaubert. Passe o truísmo, Madame de Bovary, é indiscutivelmente um grande romance. Um romance que o grande Eça terá lido gostosamente. Ontem reparei numa metáfora que é uma imagem, quase uma alegoria: “ A sombrinha, de seda cor de peito de rola e que o sol atravessava, iluminava-lhe com reflexos movediços a alva pele do rosto”.
Não terá sido por acaso que Jean-Paul Sartre dedicou tanto tempo àquele a quem chamava "l'idiot de la famille".
segunda-feira, julho 20, 2009
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 18 de Julho de 2009 – Afinal de contas, o senhorito da Madeira veio a Lisboa e reuniu com a sua chefe do continente e ambos riram muito, durante a reunião. E o personagem, com todo o desplante do mundo, teve a lata de atribuir responsabilidades próprias à comunicação social.
Este ilhéu já nos habituou aos seus incontáveis números de “non sense” e por isso mesmo já não me consegue surpreender. Adiante, pois.
Numa recente entrevista à revista “ler”, Vasco Pulido Valente falando sobre romancistas diz coisas mais ou menos tolas, mas que muitos dos que o lêm as hão-de ter como as opiniões de um verdadeiro “maître à penser. Diz que Saramago estaria certo se fosse das Caraíbas ou coisa parecida; que Lobo Antunes seria um bom escritor se tivesse escrito três ou quatro romances; que Lobo Antunes e Agustina não fizeram grandes “revelações morais” e que são umas pastas. E pergunta pelas grandes personagens destes dois escritores e conclui que o entrevistador não lhe consegue responder. É evidente que deveria ter sido confrontado, no que a Saramago concerne, com personagens como Domingos e João Mau Tempo, Blimunda e Baltazar, Ricardo Reis e Lídia, Cipriano Algor e tantas outras. E Lobo Antunes tem uma grande criação, o Dr. Francisco, do Manual dos Inquisidores. Mas nada disto tem importância para este historiador.
Há por aí gente que vai dizendo o que lhe vai na real gana, com a simplicidade das crianças. Enquanto Saramago é arrumado numa única tirada: “Aquilo era uma prosa admissível nas Caraíbas”; já a Lobo Antunes e a Agustina reconhece uma “voz”, mas diz que lhes falta uma técnica, ou seja, um modo de saber fazer. Na apreciação do historiador, e também comentador de TV, salva-se apenas o grande Eça de Queirós, de quem diz tratar-se do mais genial português dos últimos duzentos anos.
Já é gratificante que no tribunal de VPV Eça seja absolvido. O que nos vale é que poucos portugueses o lêm e os que o fazem não o levam verdadeiramente a sério. Um pouco como acontecia com Luís Pacheco.
DO MEU DIÁRIO
Cotovia,17 de Julho de 2009 – De facto, só o regime democrático permite Alberto João Jardim à frente de um governo regional, mesmo quando é consabido que o homem convive mal com a democracia e a liberdade.
Jardim, que é uma caricatura de estadista, mesmo que o seu território seja um pequeno arquipélago, é uma indignidade política. A tolerância que lhe tem sido creditada ao longo dos trinta e cinco anos de democracia, sob o pretexto de que é uma personalidade muito peculiar e mais ou menos inimputável, deixa-o medrar e confere-lhe força para fazer as mais abjectas propostas políticas. Desta feita, o tiranete ilhéu queria a extinção do PCP. Certamente, para melhor poder maltratar a democracia e a república.
Se a chefe continental de Jardim, que já advogou a suspensão da democracia para poder implementar reformas políticas, não quebrar o silêncio e alto e bom som não condenar a atitude de Jardim, torna-se cúmplice deste pretenso patusco com ideário totalitário. E o mesmo é válido para os democratas do PS.
E também o “senhor Silva”, agora presidente da república tem o dever moral de se pronunciar. Duvido, no entanto, que o venha a fazer. Politicamente, têm a mesma matriz identitária.
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 15 de Julho de 2009 – Fui com a Zélia e a Filipa visitar a D. A ao Hospital Pulido Valente, onde foi operada na pretérira segunda-feira. D. A é minha vizinha aqui do parque de campismo, há vários anos, e é uma pessoa amiga e de bom trato.
Nunca tinha entrado naquele hospital e fui positivamente surpreendido: instalações limpíssimas, roupa das camas muito alva, nada de cheiros característicos doutros hospitais. É certo que só vi aquela sala daquele serviço, mas creio, até porque fiz um longo percurso dentro das instalações, que se tratará de um todo com um mínimo aceitável de condições.
Era bom que se pudesse dizer o mesmo de todos os estabelecimentos hospitalares públicos de norte a sul do país. Era um sinal evidente de que os portugueses estariam, no momento que passa, a ser tratados com um mínimo de dignidade.
Ah, como eu gostava de lavrar aqui um rasgado elogio ao Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco!
quarta-feira, julho 15, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 13 de Julho de 2009 – À semelhança dos países, a familia Sanfona teve, na pretérita semana, os seus dias de glória. Graças ao relatório da Comissão Parlamentar sobre o caso BPN. Doravante – os méritos ou deméritos são sempre diferentes – os Sanfona podem perfilar-se ao lado dos Meneses, dos Almeida, dos Albuquerque e dos Pereira. Um dos seus foi relator, no caso concreto relatora, do relatório parlamentar sobre o mais volumoso caso de ladroagem praticado em Portugal.
Eu estou roído de inveja por nenhum Mata e/ou Barata ter protagonizado um tamanho feito, libertando-se assim da lei da morte,como escreveu um tal Luiz Vaz, no nosso livro dos livros. Mas vou ficar atento e preparado, como recomenda Rui Veloso/Carlos T, numa conhecida canção, porque poderei ser convocado em qualquer momento e o comboio da sorte só costuma passar uma vez, segundo a popular sabedoria.
Este ano, com medo de perder a minha oportunidade, nem vou de férias, ou melhor, vou para o parque de campismo, na Cotovia, que é quase aqui à porta de casa.
sábado, julho 11, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 11 de Julho de 2009 – O relatório de acompanhamento do caso BPN, produzido por uma comissão parlamentar, mereceu um voto contra de toda a oposição. Eu que de política pouco sei – e pouco sei de tudo em geral -, não compreendi o voto do PCP ao lado da restante oposição, sem, no mínimo, uma declaração de voto a demarcar-se da direita.
Bem sei que a Assembleia da República é o órgão político por excelência; bem sei que as questões criminais são com os tribunais e que os altos funcionários do banco de Portugal só poderão ser acusados politicamente de incompetência e de negligência; bem sei que Constâncio e a sua equipa têm lavado as mãos com as desculpas esfarrapadas de que nunca nada de semelhante tinha acontecido. O funcionário a quem o país paga milhões deveria assumir que errou rotundamente e daí tirar as devidas ilações.
Todavia, se a comissão parlamentar trata apenas da matéria política deste caso escabroso, não deveria fixar-se na supervisão e deixar passar a ideia de que não lhe interessam os ladões. Que têm nome e rosto e causaram danos incomensuráveis ao país. Danos que havemos de pagar, com língua de palmo e meio, durante muitos anos. Assim, percebo mal que o meu camarada Honório Novo possa votar ao lado de Nuno Melo e dos senhores do PSD, sem que deles se demarque através de uma explicação plausível.
sexta-feira, julho 10, 2009
Santa Iria de Azóia, 10 de Julho de 2009 – Não podia deixar passar este dia em claro, porque é o dia do aniversário do meu amigo João Teixeira. E se lhe faço uma referência aqui no “blogue”, é porque sei que ele aqui virá durante este dia. Longa vida, pois, ao João Teixeira; e, se puder ser, que o futuro lhe traga as maiores venturas. Ou no mínimo, que não lhe roube a ironia com que nos vai deliciando, no dia-adia.
Amanhã, é o aniversário do Manel Vaz, que também é meu amigo há décadas. Para ele vão também, apesar de saber que não passará por aqui, votos de muita saúde, para que possamos partilhar ainda por muitos anos o pão e o vinho.
Amanhã, é o aniversário do Manel Vaz, que também é meu amigo há décadas. Para ele vão também, apesar de saber que não passará por aqui, votos de muita saúde, para que possamos partilhar ainda por muitos anos o pão e o vinho.
Para ambos, aquele abraço!
quarta-feira, julho 08, 2009
DO MEU DIÁRIO
EriceiraSanta Iria de Azóia, 8 de Julho de 2009 – Creio que já não ia à Ericeira há cerca de um ano. Esta ausência nada tem a ver com alguma infidelidade, porque o nosso amor é imorredoiro. Fui apenas um desencontro como muitos outros e o importante é colher sempre a sensação de quem regressa a casa, apesar de não ter casa nenhuma nesta vila do concelho de Mafra.
E lá fui à Praça da República tomar o pequeno almoço, ainda antes das oito da manhã, que os dias para serem produtivos começam-se cedo. Foi naquela pastelaria especializada em queques, mas que também tem outras coisas igualmente boas. Nomeadamente o pão, que é celebrado desde tempos imemoriais, apesar do mal que faz aos diabetes (ou à diabetes, como preferirem). A culpa não é do pão, mil vezes abençoado, mas das outras coisas todas que vamos metendo no bandulho.
Feito este inevitável excurso – hoje não almocei no Mar de Areia -, vamos ao que interessa. A Ericeira está agora ligada a Lisboa através de auto-estrada, o que significa que, sem grandes velocidades, dista de Lisboa cerca de meia hora, em dias normais, que são os meus preferidoa para ir e estar nesta terra simpática.
terça-feira, julho 07, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 7 de Julho de 2009 – Quem se der ao trabalho de frequentar “blogues” de gente ligada ao PS, verificará sem grandes dificuldades, que o partido que sustenta o Governo vive momentos de grande nervosismo. Passo por dois desses “blogues”, o Aspirina B e o Jumento, que, a pés juntos, juram que são independentes, mas onde a oposição é tratada abaixo de cão. Sem qualquer distinção, da direita à esquerda.
O PS e a sua gente, regra geral, têm o hábito de receitar princípios aos outros e nomeadamente ao PCP. Ora estes insignes socialistas, esta inclita geração de socialistas, demonstra, no momento que passa, um comportamento verdadeiramente totalitário e nalguns casos ordinário.
Mário Nogueira é por vezes o alvo escolhido. Compreende-se a raiva. De certo modo, foi o comunista que mais mossa fez ao Governo. Ao democratíssimo Governo do Eng.º Sócrates e do Partido Socialista. Ao Governo que mais longe foi no desprezo pelos trabalhadores.
segunda-feira, julho 06, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 5 de Julho de 2009 – Quem viajar de Strasbourg para Frankfurt, e às coisas da agricultura quiser dar relevo, não poderá fugir das inevitáveis comparações. Adiante!
Num percurso de duas horas e meia por auto-estrada, o viajante há-de ver sucessivas plantações de milho, trigo, batata, beterraba e vinha; vinha, beterraba, batata, trigo e milho; milho, trigo, batata, beterraba e vinha. E isto de um e outro lado da fronteira franco alemã. É certo que a água é abundante e a terra adequada para aquelas culturas, mas as condições climatéricas e os solos não explicam tudo. Valorize-se, pois, a capacidade de realização dos povos francês e alemão.
Bem pode o senhor Jaime Silva fazer de ministro da agricultura deste rectângulo à beira mar. Bem pode a oposição reclamar por medidas e subsídios. Portugal precisa, antes de mais, de emparcelamento e de explorações de média e grande dimensões, porque só assim a agricultura poderá ser competitiva. Em nome do futuro, e de alguma independência alimentar, há que pensar e repensar o modo de poduzir, neste cantinho onde cresce a urze e o rosmaninho, mas também a giestra e a esteva. Aqui onde tudo parece caminhar para a desertificação.
É evidente que não temos a benção do Reno, que desde a Suiça até ao Mar, em Roterdão, é uma riqueza incomensurável para a Alemanha. E também para a Suiça, a França e a Holanda. Mas temos o vale do Tejo e também o Alqueva, que, com estudo e querer, podiam fazer de Portugal um país diferente. Agricolamente falando, como é óbvio!
Mas aqui continua a pensar-se que o nosso destino é o mar, que procuramos, pressurosos, em busca das frescas brisas e do calor lorpa dos areais. É que em Portugal, quando se sai, é com a febre de ir à praia, no Brasil, em Cuba ou no México. Cá sai-se da praia para ir à praia.
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 29 de Junho de 2009 – Em bom rigor, o aeroporto da Portela é já um anacronismo. Chega-se de Frankfurt, onde se respira modernidade e grandeza – e com grandes obras em curso – e por cá teima-se em querer adiar os grandes projectos de modernização do país. Bem sei que Portugal é um país pequeno e pobre, mas merece um novo aeroporto e o TGV. Portugal merece governantes sérios e audazes.
Mas também necessita de gestores e de trabalhadores competentes e empenhados. Ainda ontem assisti a um caso verdadeiramente lamentável. No tapete 8, onde se havia de recolher a bagagem do voo HL4532, os passageiros chegaram e tiveram de esperar cerca de quarenta minutos pelas suas malas e maletas. Mas pior, no tapete ainda rolavam quatro ou cinco malas de voos anteriores que não foram retiradas e quatro caixas amarelas, que, provavelmente, ainda continuaram a girar no referido tapete-rolante nas horas seguintes.
Em Frankfurt haveria, certamente, um funcionário ou um responsável que daria pela anormalidade e lhe poria cobro! Pois no pequeno e rasteiro aeroporto da Portela não!
Pequenos nadas que fazem toda a diferença. Por muito que nos doa.
quinta-feira, julho 02, 2009
DO MEU DIÁRIO
Praça GutembergStrasbourg, 28 de Junho de 2009 – Dormir, quando tenho de viajar, está quieto, apesar de saber que me acordarão à hora combinada. Sendo esta a minha natureza, há que aproveitar o tempo, para não me deixar embalar pelas ideias do momento, que, de um modo geral, vão sempre bater na crise.
Em França registou-se, com algum optimismo, o facto de o desemprego de Junho ter decrescido 0,3% em relação ao do mês de Maio. No entanto, o desemprego é e há-de continuar a ser a grande chaga deste nosso querido modelo económico e social. Até um dia, meus amigos!
Quando se viaja de comboio, pode-se olhar à esquerda e à direita, placidamente, e apreciar a paisagem. Ao viajar para sul, constatei a pujança de enormes searas, idênticas àquelas de que já falei anteriormente e também a existência de centenas e centenas de pequenas hortas, mesmo às portas do verdadeiro coração político desta Europa que se quer una e múltipla. mas que tarda em encontrar um rumo verdadeiramente autónomo. E com a eleição quase garantida de José Barroso, o caminho será ainda mais difícil de fazer.
A morte de Michael Jackson continua a ocupar a “UNE” de todos os noticiários. Goste-se ou não do personagem, o seu desaparecimento foi um acontecimento pleanetário, o que significa que o cantor e “dançador” americano vivia no coração de milhões de pessoas.
Vou encostar, porque a viagem vai ser longa e tenho que me aguentar nas canetas. As viagens acrescentam sempre muita tralha à tralha com que se iniciam. É lembrança para A, é a coisinha para B, é a minha meia dúzia de livros. E transportar bagagem não é, decididamente, o meu forte.
Em França registou-se, com algum optimismo, o facto de o desemprego de Junho ter decrescido 0,3% em relação ao do mês de Maio. No entanto, o desemprego é e há-de continuar a ser a grande chaga deste nosso querido modelo económico e social. Até um dia, meus amigos!
Quando se viaja de comboio, pode-se olhar à esquerda e à direita, placidamente, e apreciar a paisagem. Ao viajar para sul, constatei a pujança de enormes searas, idênticas àquelas de que já falei anteriormente e também a existência de centenas e centenas de pequenas hortas, mesmo às portas do verdadeiro coração político desta Europa que se quer una e múltipla. mas que tarda em encontrar um rumo verdadeiramente autónomo. E com a eleição quase garantida de José Barroso, o caminho será ainda mais difícil de fazer.
A morte de Michael Jackson continua a ocupar a “UNE” de todos os noticiários. Goste-se ou não do personagem, o seu desaparecimento foi um acontecimento pleanetário, o que significa que o cantor e “dançador” americano vivia no coração de milhões de pessoas.
Vou encostar, porque a viagem vai ser longa e tenho que me aguentar nas canetas. As viagens acrescentam sempre muita tralha à tralha com que se iniciam. É lembrança para A, é a coisinha para B, é a minha meia dúzia de livros. E transportar bagagem não é, decididamente, o meu forte.
quarta-feira, julho 01, 2009
DO MEU DIÁRIO
Em 1 de Julho de 1981, morreu um dos maiores poetas portugueses do séc. XX: CARLOS DE OLIVEIRA.
Um homem a quem coube em sorte um dicionário e uma votade férrea de dar às palavras a leveza dos pássaros.
terça-feira, junho 30, 2009
DO MEU DIÁRIO
Strasbourg, 27 de Junho de 2009 – A capital da Alsácia não é uma cidade barata. Como toda a França, de resto. E nas imediações da catedral, então, nem pensar. Come-se mal e caro. As especialidades locais são caríssimas, mesmo nos restaurantes de toalha de plástico ou de toalha nenhuma, porque na cidade há de tudo. Faça-se justiça à confecção de saladas, que, de um modo geral, são saborosas e muito variadas: alface de várias qualidades, rúcula, tomate, couve-roxa, lombardo, endívia, etc., com naquinhos de carne de porco, frango e vaca. E as incontáveis variedades de cerveja.Quem não quiser ou não puder comer de faca e garfo poderá optar pelas grandes sandes, ou seja, as famosas “baguettes” recheadas de alface, milho, tomate e carnes. Até no McDonalds da Praça da Gare há uma quantidade apreciável de saladas. O que talvez queira dizer que a luta dos agricultores de há anos, que viraram de pantanas algumas destes célebres restaurantes importados da terra do tio Sam, terão valido a pena.
segunda-feira, junho 29, 2009
DO MEU DIÁRIO
Strasbourg, 26 de Junho de 2009 – Há muitos anos que não fazia viagens de comboio. Confesso que não tenho nada contra os comboios, mas é consabido que no nosso país o automóvel é rei. Pois bem, aproveitei para ir duas vezes a Colmar e uma à pitoresca vila de Obernai, utilizando o tró-fá-fá.Eu sabia que os franceses utilizam muito o comboio, mas apesar desse conhecimento, fui surpreendido pelo movimento de comboios na Gare Central de Srasbourg, donde saem e onde chegam dezenas e dezenas, incluindo o nosso mal-amado TGV, e também pela quantidade de passageiros. Fossem os nossos PDG(s) menos pedantes e mais madrugadores e utilizariam o comboio para cumprirem religiosamente os horários. E não teriam o cansaço diário das “bichas”, no acesso a Lisboa.
Não ficaria bem comigo mesmo, se não deixasse aqui uma nota acerca das centenas de bicicletas que ficam diariamente à porta da Estação de Strasbourg. E também das centenas e centenas de ciclistas permanentemente em movimento na cidade. Estas notas servem apenas para realçar o bem que estas práticas fazem ao ambiente e a poupança que proporcionam aos franceses. A inteligência nota-se nas pequenas coisas.
Strasbourg, sede de diversas instituições europeias, possui também um eficaz “metro” de superfície. Utizei-o uma única vez para fazer o percurso “Droits de l’Homme”- “République e posso asseverar que a experiência foi compensadora. Era bom que entre nós pudessem ser implementadas experiências semelhantes. Das de Strasbourg podiam os nossos deputados europeus falar, porque sempre seria conversa mais produtiva do que a da contabilidade de quem apresenta mais requerimentos e projectos de resolução.
Strasbourg não é, decerto, o paraíso; mas é uma cidade exemplar em muitos aspectos. Ou será por acaso que a sua Universidade é, actualmente, a maior de França?
COLMARColmar, 25 de Junho de 2009 – Colmar também é uma cidade plana. Por isso mesmo, não hesitei em fazer o caminho a pé, da estação da SNCF até ao centro da cidade, onde almocei com a Zélia e com o João Pedro, que já está roído de saudades. Ou eu me engano muito, ou este meu rebento querido tem muito a ver com o senhor meu pai, que em Fevereiro passado nos deixou. Parecem duros, mas têm um coração de manteiga.
Ao fundo da praça da estação, cujo nome não me ocorre agora (ou será mesmo Place de la Gare?), volta-se à esquerda. Caminha-se trezentos ou quatrocentos metros e entra-se no Champs de Mars, onde a cidade homenageia dois dos seus filhos mais ilustres: o almirante Bruat, que também é nome de rua, e Rapp, que terá sido o mais famoso general de Napoleão.
Champs de Mars também há em Paris. É aquela planura imensa que vai da Torre Eiffel à Academia Militar francesa e do lado oposto há uma extensão quase idêntica ao cimo da qual se ergue um conjunto magnífico que dá pelo nome de Trocadéro. Não era bem disto que eu queria falar. Verdadeiramente, eu queria apenas falar do carinho com que a França tratou sempre os seus herois e os seus mártires. Não conheço cidade francesa onde não haja uma lápide ou um memorial com os nomes das vítimas do invasor nazi. Alphonse Cherrier era o nome da rua onde eu morei em Sceaux, nos arredores de Paris. Um jovem francês que os alemães mataram naquela vindima de vidas que foi a 2ª Guerra Mundial.
Entre nós é mais comum dar o nome das ruas a políticos, de primeira e de segunda, que os há de primeira de segunda e de terceira, bem entendido. E ultimamente, lá se vão lembrando mais dos nossos artistas, facto que só por si já constitui um ganho. Dos generais que fizeram o 25 de Abril de 1974 não há nenhuma praça que exiba a estátua de um, pela razão comezinha de não ter havido generais comprometidos com o golpe que depois foi revolução.
Colmar – perdoe-se a Duhamel o exagero -, é na verdade uma cidade encantadora. No seu centro histórico, o viajante encontra a calma e a beleza, que, depois, hão-de ser exaltadas nas conversas com os amigos ou plasmadas com versos ou prosa. A catedral, que dá pelo nome de collégiale de Saint-Martin, é uma das catedrais góticas mais importantes da Alsácia. Em minha opinião, pela beleza rara dos vitrais. Foi construída ao longo de cento e trinta anos!
O João apareceu à hora combinada, junto ao edifício da FNAC e almoçámos na zona turística, com a qualidade que eu já mereço a caminho dos sessenta anos. E também o João, que tem algumas dificuldades em se adaptar à cozinha francesa. Especialidades alsacianas, bem entendido, mas com boa carne e as indispensáveis batatas fritas.
domingo, junho 28, 2009
DO MEU DIÁRIO
Srasbourg, 24 de Junho de 2009 – Começou hoje a época oficial de saldos de Verão, em toda a França. E o viajante só não é surpreendido, porque dispõe sempre de algum tempo para olhar as montras, no seu deambular pelas ruas.Strasbourg é uma cidade plana, e, por conseguinte, pouco cansativa; porém – há sempre um porém nestas coisas-, o viajante é daqueles que se pela por andar a pé e gosta de apreender, nos sítios certos, os traços que marcam o carácter das cidades; e, por isso mesmo, qundo chega a hora de entregar o corpinho a Morfeu, nem tempo tem para fazer o sinal da cruz. Dorme então o sono profundo dos justos.
Georges Duhamel escreveu um dia que Colmar é a mais bela cidade do mundo. Dê-se a Duhamel o devido desconto para o patriotismo e diga-se que não andará muito longe da verdade. De facto, Colmar tem uma beleza ímpar. Mas compará-la a Veneza é um pouco abusivo. Se há cidade parecida com Veneza, essa cidade é Strasbourg: não só pelas voltas que o Reno dá dentro da cidade, mas também por ter muitas casas com paredes dentro de água. Mas deixemos as comparações por aqui.
O tempo tem estado muito instável: ora chove e está frio; ora faz sol e a temperatura é agradável. Mas o viajante não deixa, no entanto, de sentir saudades dos trinta e tal graus de Lisboa da pretérita semana. Também por isso não temos vastos campos de milho e de trigo e grandes manchas florestais. Estas mais do lado alemã, quando se vem de Frankfurt para Srasbourg. Contentemo-nos pois com o sol, os pés de murta e o rosmaninho de que nos falava Garrett. Sol na eira e chuva no nabal, como tão sabiamente diz o nosso povo, foi coisa que não nos calhou a nós.
Agora compreendo melhor a volta ao mundo de Xavier de Maistre.
É claro que entrei nas Galerias Lafayette, onde uma multidão procurava afanosamente a peça de vestuário, a mala ou os acessórios das diversas marcas. Os saldos aqui são para todas as marcas e para quase todos os produtos. Até os relógios com o nome dos costureiros famosos podem ser adquiridos a preços mais acessíveis.
Livros e muitos havia na rua Gutemberg, em segunda mão, que é uma das formas da cultura se mostrar na rua. E para curiosidade minha, peguei numa edição da Putain Respectueuse de Jean-Paul Sartre da Gallimard de 1946 e que era já, ó surpresa das surpresas!, a 18ª. Mas na rua Gutemberg, para que conste.
O almoço foi numa das ruas que partem das catedral em direcção ao rio, onde se podia ler por cima de uma das paredes: “Un jour sans vin, c’est une journée sans soleil”.
quinta-feira, junho 18, 2009
O novo aeroporto da OTA pode não ser absolutamente indispensável para já; porém, adiar para mais tarde o TGV seria um crime de lesa pátria. Adiar agora, seria adiar para as calendas gregas, para o dia de S. Nunca à tarde, para a semana das duas quintas-feiras. Adiar é proibido. Seja benvind o TGV!
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!!! Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!!!!!
Portugal não necessita de consensos. Os consensos conduzem sempre à inacção. Os consensos são os grandes causadores do nosso atraso permanente em relação à Europa.Vivam todas as rupturas progressivas e produtivas. Às malvas os consensos! Abaixo os detractores do TGV!
ZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzZZZZZZZZZZZzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzz!!!!!!
Os grandes empreendimentos nunca são do agrado geral. E se nem os Descobrimentos mereceram o apoio unânimo dos portugueses. Por que carga d'água o TGV havia de merecer a unanimidade? Abaixo os Velhos do Restelo! Abaixo todos os Tonhos! Abaixo todos os belmiros! Viva o train grande vitesse!
Abaixo o trofafá-trofafá-trofafá!!! ZZZZZZZ!!!ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!!
VIVA O TGV!!!
Incondicionalmente com o TGV!!!
Abaixo o trofafá-trofafá-trofafá!!! ZZZZZZZ!!!ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!!
VIVA O TGV!!!
Incondicionalmente com o TGV!!!
quarta-feira, junho 17, 2009
DO MEU DIÁRIO
Lisboa, 17 de Junho de 2009 – Quem tem correio electrónico corre o risco de receber “mails” aldrabões. Ontem recebi um que dizia que um senhor Dr., reputado economista, foi nomeado, aos 77 anos de idade, para administrador da EDP-Renováveis (?). E mais dizia que o senhor Dr. saiu do Montepio Geral com uma indemnização de 400 000 euros e que aufere uma reforma choruda do venerando Banco de Portugal.
Eu sei que o prudente, sábio e recatado senhor Dr. está a ser vilipendiado por mesquinhos invejosos, que não lhe perdoam a coragem com que tem defendido medidas de austeridade e salários baixos para os seus concidadãos, como forma de garantir a perenidade da pátria.
Eu sei ainda que, havendo jovens economistas talentosos, o estimável senhor Dr. jamais aceitaria ocupar, com a sua provecta idade – porque se calhar até já tem bisnetos -, uma vaga ou um cargo que pode ser ocupado com dinamismo e igual competência por um rapaz com menos quarenta anos.
Eu não acredito no teor do tal “mail”, que, provavelmente, só quer lançar o fel dos portugueses sobre um tão ilustre cidadão.
Não. Eu não acredito!
Eu sei que o prudente, sábio e recatado senhor Dr. está a ser vilipendiado por mesquinhos invejosos, que não lhe perdoam a coragem com que tem defendido medidas de austeridade e salários baixos para os seus concidadãos, como forma de garantir a perenidade da pátria.
Eu sei ainda que, havendo jovens economistas talentosos, o estimável senhor Dr. jamais aceitaria ocupar, com a sua provecta idade – porque se calhar até já tem bisnetos -, uma vaga ou um cargo que pode ser ocupado com dinamismo e igual competência por um rapaz com menos quarenta anos.
Eu não acredito no teor do tal “mail”, que, provavelmente, só quer lançar o fel dos portugueses sobre um tão ilustre cidadão.
Não. Eu não acredito!
segunda-feira, junho 15, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 15 de Junho de 2009 – Tenho evitado a Almirante Reis, porque tenho receio de ver por ali, de prato na mão, andrajosamente vestido e com barba de três dias, o dr. Dias Loureiro, que os jornais dizem sem cheta. É que passar pela Sopa dos Pobres e ter de reparar naquela gentinha pobretanas, confesso que não é espectáculo agradável.
Quando o homem era ministro, e até porque também fazia versos, nem desgostava da pessoa, apesar de politicamente me situar nos antípodas do ex-ministro das polícias do senhor Professor; porém, agora que o descobri mentiroso, não o quer ver à minha frente, como já o vi há muitos anos na Campo do Alverca, em dia de jogo com a Briosa. Se ele fosse apenas e só um “fingidor”, outro galo cantaria.
Já tenho a minha dose de grotesco e desgosto. Aquela cena terrível de Oliveira e Costa a mordiscar a sandocha no Parlamento, ultrapassa a minha mentalidade de beirão arreigado a determinados princípios. A comédia à portuguesa merece melhores números.
Quando o homem era ministro, e até porque também fazia versos, nem desgostava da pessoa, apesar de politicamente me situar nos antípodas do ex-ministro das polícias do senhor Professor; porém, agora que o descobri mentiroso, não o quer ver à minha frente, como já o vi há muitos anos na Campo do Alverca, em dia de jogo com a Briosa. Se ele fosse apenas e só um “fingidor”, outro galo cantaria.
Já tenho a minha dose de grotesco e desgosto. Aquela cena terrível de Oliveira e Costa a mordiscar a sandocha no Parlamento, ultrapassa a minha mentalidade de beirão arreigado a determinados princípios. A comédia à portuguesa merece melhores números.
quarta-feira, junho 10, 2009
ONTEM COMO HOJE
No mais, Musa, no mais; que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida;
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e ensurdecida.
O favor com que mais se acende o engenho,
Não no dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dua austera, apagada e vil tristeza.
Camões, Os Lusíadas, Est. CXLVI, Canto X.
No mais, Musa, no mais; que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida;
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e ensurdecida.
O favor com que mais se acende o engenho,
Não no dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dua austera, apagada e vil tristeza.
Camões, Os Lusíadas, Est. CXLVI, Canto X.
terça-feira, junho 09, 2009
DO MEU DIÁRIO
SANTA IRIA DE AZÓIA, 8 de Junho de 2009 – Em Itália, o partido de Berlusconi ganhou as eleições. E por isso mesmo, aqui deixo uma pergunta impertinente: a Itália será aquele país que todos gostaríamos que fosse ou é o país da “cosa nostra” e de outras coisas, que, por pudor, omito?
Não, A Itália de hoje não é o país da música de Verdi. E provavelmente nunca o terá sido. A bela Itália, em termos políticos e sociais, provavelmente, nunca foi tão bela quanto isso. E por isso é um corpo putrefacto pejado de berlusconis e quejandos.
Não, A Itália de hoje não é o país da música de Verdi. E provavelmente nunca o terá sido. A bela Itália, em termos políticos e sociais, provavelmente, nunca foi tão bela quanto isso. E por isso é um corpo putrefacto pejado de berlusconis e quejandos.
Em relação a Itália, tomámos o desejo pela realidade e esse é que é o drama.
domingo, junho 07, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 7 de Junho de 2009 – Saramago acertou em cheio: Berlusconi, que personifica o burlão na política, é uma "doença" que está a contaminar a Itália e a ameaçar o mundo.
Se o “vírus” persistir na sociedade italiana, corre-se o risco de ver a “coisa” a infectar outros países e outros povos. Num tempo em que tanto se fala de vírus de gripes e de pandemias, num tempo em que os media tanto espaço dão a pequenos dramas, deveriam mobilizar-se contra este pantomineiro que da cultura tem apenas a visão estrita do dinheiro.
A Itália não merece esta “coisa”, ou seja, este burlão sem escrúpulos que deveria estar atrás das grades.
Se o “vírus” persistir na sociedade italiana, corre-se o risco de ver a “coisa” a infectar outros países e outros povos. Num tempo em que tanto se fala de vírus de gripes e de pandemias, num tempo em que os media tanto espaço dão a pequenos dramas, deveriam mobilizar-se contra este pantomineiro que da cultura tem apenas a visão estrita do dinheiro.
A Itália não merece esta “coisa”, ou seja, este burlão sem escrúpulos que deveria estar atrás das grades.
quinta-feira, junho 04, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 1 de Junho de 2009 – Quer-me parecer, que, definitivamente, a caixa de Pandora foi escancarada. O CENTRÃO vai ardendo em lume brando. Já nem o PR escapa.
Portugal está a ficar demasiado perigoso.
PS – As imagens de Oliveira e costa a manducar a sandocha, no Parlamento, pareceram-me tão grotescas, apesar do homem estar bem esticadinho dentro do fatinho feito por medida, como a do coronel Aureliano Buendia a devorar um porco (personagem de Cem Anos de Solidão de GGM). Èpouvantable!
Portugal está a ficar demasiado perigoso.
PS – As imagens de Oliveira e costa a manducar a sandocha, no Parlamento, pareceram-me tão grotescas, apesar do homem estar bem esticadinho dentro do fatinho feito por medida, como a do coronel Aureliano Buendia a devorar um porco (personagem de Cem Anos de Solidão de GGM). Èpouvantable!
domingo, maio 31, 2009
LIVROS
PALESTINA MINHA AMADAI
(Jerusalém é o teu nome cidade)
Ruy Belo
Trazemos nas veias
A cor das tuas pedras mártires.
Por isso perseveramos,
Por isso te amamos,
Por isso continuamos a morrer por ti.
II
No sul do Líbano,
Na faixa de Gaza,
Nas margens do Jordão,
Na diáspora multicontinental,
Choramos em silêncio as tuas mágoas
Cidade mãe,
Cidade santa,
Jerusalém.
(Porque tu choras
As nossas mágoas também).
III
Não haverá napalm,
Não haverá TNT,
Não haverá traição,
Que ponham fim
A esta vontade desmedida de vencer.
E um dia,
Pela estrada de Jericó,
Voltaremos:
A Ramala,
A Belém,
A Lida,
A Jerusalém.
Para comer laranjas em Jafa!,
Laranjas doces e suculentas,
Porque em todo o mundo
Não há laranjas como as de Jafa.
In Fragmentariamente (ainda inédito)
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 31 de Maio de 2009 – Neste meu espaço, escrevi aqui há meses, poucos, que Sócrates tem uma grande capacidade de sobrevivência. E continuo a pensar exactamente o mesmo. Sobrevive, por enquanto, a tudo e a todos, porque Portugal não é um país a sério. Portugal é hoje um imenso lodaçal, onde quase todos os intervenientes nos diversos órgãos do Estado têm telhados de vidro.
Nada me anima contra o actual primeiro-ministro. Enquanto pessoa, tenho por ele o mesmo respeito que tenho pelos restantes portugueses. Enquanto político abomino a sua actuação, porque é um mole contra os poderosos e um leão contra os humildes. Abomino a sua actuação política, porque é incapaz de olhar sem sobranceria contra os que lutam, com denodo, para superar os miseráveis quotidianos que lhe são impostos.
Um dia, inexoravelmente, a estrelinha mudará. Até lá, terá aquela corte que o adula e o segue quase acriticamente. Até um dia!
Nada me anima contra o actual primeiro-ministro. Enquanto pessoa, tenho por ele o mesmo respeito que tenho pelos restantes portugueses. Enquanto político abomino a sua actuação, porque é um mole contra os poderosos e um leão contra os humildes. Abomino a sua actuação política, porque é incapaz de olhar sem sobranceria contra os que lutam, com denodo, para superar os miseráveis quotidianos que lhe são impostos.
Um dia, inexoravelmente, a estrelinha mudará. Até lá, terá aquela corte que o adula e o segue quase acriticamente. Até um dia!
sexta-feira, maio 29, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 29 de Maio de 2009 – Eu nunca saberei quanto são dois mil milhões de euros. E duvido que os candidatos a um lugar no Parlamento Europeu o saibam. Neste momento, assim sem qualquer reflexão, creio que não sei sequer que utilização lhes poderia dar, se deles dispusesse. Que o número é grande, é. 2.000 000 000.
É aquele número, escrito com dez algarismos, o montante da roubalheira, no BPN. Com o qual se locupletou aquela gente que a gente conhece das pantalhas e que tanto zanga aquela gente da mesma família política da tal gente que a gente conhece e que se locupletou com aquele número escrito com dez dez algarismos.
Vai por aí grande algazarra, porque “roubo” é coisa de populares. Aquela gente – a dos 2 000 000 000 – que a gente conhece das pantalhas não rouba: faz mão baixa, abotoa-se, arranja-se, desvia, etc., mas nunca rouba. Os grandes são cleptómanos. Ladrões? Nunca, meus amigos!
É aquele número, escrito com dez algarismos, o montante da roubalheira, no BPN. Com o qual se locupletou aquela gente que a gente conhece das pantalhas e que tanto zanga aquela gente da mesma família política da tal gente que a gente conhece e que se locupletou com aquele número escrito com dez dez algarismos.
Vai por aí grande algazarra, porque “roubo” é coisa de populares. Aquela gente – a dos 2 000 000 000 – que a gente conhece das pantalhas não rouba: faz mão baixa, abotoa-se, arranja-se, desvia, etc., mas nunca rouba. Os grandes são cleptómanos. Ladrões? Nunca, meus amigos!
LIVROS
DO MEU DIÁRIO
Loures, 27 de Maio de 2009 – José Luís Arnaut disse ontem, alto e bom som, na SIC-Notícias, que as trapalhadas do BPN são pagas pelos contribuintes.
Como sou contribuinte – e dos que pagam às taxas mais altas, apesar de não ter segunda habitação e nunca ter posto os pés na Brasil ou no México -, penso que me assiste o direito de exigir que façam o favor de prender os ladrões.
Se todas estas trapalhadas, como eufemisticamente se diz, Freeport, BPN e BPP não se saldarem por muitas prisões e pela recuperação do “roubado”, sinto-me no direito de chamar pulhas aos que deixam que Portugal mergulhe neste lodaçal nauseabundo.
Isto já ultrapassa a raia do admissível!
Como sou contribuinte – e dos que pagam às taxas mais altas, apesar de não ter segunda habitação e nunca ter posto os pés na Brasil ou no México -, penso que me assiste o direito de exigir que façam o favor de prender os ladrões.
Se todas estas trapalhadas, como eufemisticamente se diz, Freeport, BPN e BPP não se saldarem por muitas prisões e pela recuperação do “roubado”, sinto-me no direito de chamar pulhas aos que deixam que Portugal mergulhe neste lodaçal nauseabundo.
Isto já ultrapassa a raia do admissível!
sábado, maio 23, 2009
DO MEU DIÁRIO
SANTA IRIA DE AZÓIA
Lisboa, 23 de Maio de 2009 – Quando cheguei a Santa Iria, no já distante Outubro de 1972, ainda longe de ser vila, esta freguesia do concelho de Loures crescia, tornando-se num dos incontáveis dormitórios de Lisboa.É certo que participei pouco da vida da quase aldeia que era então Santa Iria. Levantava-me antes das seis da manhã, com o banho tomado de véspera, para apanhar o comboio das seis e trinta. Frequentava, nesse ano lectivo, o Instituto Comercial de Lisboa. Foi nesse ano que conheci o malogrado Silvestre Figueiredo, o Hermenegildo, o Tó folgado, que haviam de ser médicos; e, ainda, o Adérito, o Manuel Felizardo, o Manuel João e o Hélder Araújo. E também o Zé Manel Morais e o Manel Alves.
O Sol-Rio, café e cervejaria, onde agora tem balcão o BCP- Millenium, era um espeço agradável, onde os jovens conviviam. Havia também o “Chouriço”, onde pontificava a D. Ondalina, que um acidente de automóvel havia de vitimar; e também o “Rebelo”, que sempre foi a pastelaria Miradouro, mas que todos conheciam pelo nome do empregado e posteriormente sócio-gerente. Ainda hoje se vai ao “Rebelo”. Ao Virgílio fui uma única vez aos caracois. A Sociedade 1º de Agosto estva em obras.
Hoje, Santa Iria está muito diferente. Cresceu imenso, apesar de ter perdido algumas das suas indústrias emblemáticas, acompanhando o país nesse processo ruinoso de destruição do sistema produtivo. Está uma vila bonita, porque tem havido uma constante preocupação de construir jardins e parques urbanos. Plantaram-se centenas e centenas de árvores. E tudo isto, graças a uma gestão autárquica competente, na qual se tem destacado Ernesto Costa e os membros do executivo a que preside. No qual votarei de novo, sem quaisquer reservas.
sexta-feira, maio 22, 2009
LIVROS
Este livro, publicado em 1973, continha versos e poemas subversivos. Nele se encontram nomes como os de Allen Ginsberg, Frank O'Hara, Paul Carrol, Gregory Corso e outros.Na capa temos uma fotografia de Allen Ginsberg no Recital Internacional de Pooesia, Royal Alberyt Hall, Londres, 1965. Pertence-lhe o poema "AMÉRICA", do qual aqui deixo alguns versos:
............................................................................................
Não aguento a minha própria mente.
América quando poremos fim à guerra entre os homens?
Vai-te lixar com a tua bomba atómica.
Não me sinto nada satisfeito não me chateies.
.........................................................................
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 22 de Maio de 2009 – O senhor Belmiro de Azevedo, provavelmente o homem mais rico de Portugal, arroga-se o direito de dar conselhos aos seus concidadãos, mesmo quando estes não lhos pediram e deles não necessitam.
O senhor Belmiro de Azevedo, que terá indiscutivelmente muitos méritos, olha Portugal e os portugueses com excessiva sobranceria. Critica o referido senhor os trabalhadores da Auto-Europa (ou Autoeuropa?) por não aceitarem a chamada mobilidade, que na óptica do senhor é uma coisa excelente. O senhor receita para os seus concidadãos do alto das suas resmas de milhões, como se os ordenados e as condições da outra mobilidade permitissem aceitar as condições propostas. O senhor Belmiro de Azevedo, por quem os portugueses muito têm feito, viaja de avião particular e vive com os biliões que todos lhe demos e damos a ganhar.
Até por pudor (não vá o João acordar, como diria Nobre treslido), o senhor Belmiro de Azevedo deveria adoptar uma atitude de compreensão e de disponibilidade para ajudar a superar a crise, porque a ideologia do senhor e o sistema económico subjacente à mesma são os grandes responsáveis pelo estado a que o mundo chegou. O senhor Belmiro vê longe, muito longe, quando se trata de investir e ganhar milhões, mas sob o ponto de vista humano, o seu mundo situa-se por detrás da fivela do cinto das suas próprias calças.
A insolência deste senhor envergonha-me!
terça-feira, maio 19, 2009
LIVROS
Quem se lembrará ainda de intérpretes como Ana Maria Teodósio, Mário Piçarra, António Bernardino e Denis Sintra? E da Filarmónica Fraude? E até de José Jorge Letria?Faz bem à alma, nestes tempos que correm, folhear um livro de 1972, ou seja, uma obra onde constam os poetas, os compositores e os intérpretes que também contribuíram para que Abril fossem possível.
sábado, maio 16, 2009
QUADRAS
Esta quadra é um primor
- Tem perfeita construção -.
É pra dar ao meu amor,
Que trago no coração.
Há quem dê flores e rosas
E outras coisas de valor.
Eu só dou versos e prosas
E é tão feliz o meu amor.
Meu amor pede-me versos
Para animar o serão.
Já anda farta de terços
Rezados sem devoção.
E assim vamos vivendo,
Em paz e muita harmonia,
O coração entretendo
Com afagos de magia.
Esta quadra é um primor
- Tem perfeita construção -.
É pra dar ao meu amor,
Que trago no coração.
Há quem dê flores e rosas
E outras coisas de valor.
Eu só dou versos e prosas
E é tão feliz o meu amor.
Meu amor pede-me versos
Para animar o serão.
Já anda farta de terços
Rezados sem devoção.
E assim vamos vivendo,
Em paz e muita harmonia,
O coração entretendo
Com afagos de magia.
quinta-feira, maio 14, 2009
DO MEU DIÁRIO
Queluz, 14 de Maio de 2009 – Almocei n’ “O FORTE”, que é um honesto e limpo restaurante do Forte da Casa, onde pontifica a família Robalo. A Filipa, que andava por perto, telefonou e acabou a almoçar à minha mesa, que, com certeza, é a melhor das mesas. Alinhei em meia dúzia de sardinhas, que, como dizem muitos portugueses, já se deixam comer, e numa suculenta salada de tomate e pimentos ( tomates e pimentos soa menos bem).Tudo regado com um humilde “Monsaraz”.
Este restaurante, onde António Lobo Antunes se comoveria até às lágrimas, comecei a frequentá-lo há cerca de quinze anos, com o Álvaro Alferes, que, tal como eu, se derretia por um anho assado na brasa pelo senhor Joaquim.
Sou tratado com estima e se me apetecer mais uma sardinha, pas de problème. E depois há o senhor Pedro, um rapaz de sessenta anos, que é a personificação da simpatia. E a D. Ismina, que tem um dedo especial para a cozinha.
E tudo isto para dizer que na escolha de um restaurante contam múltiplos factores: Nomeadamente, o “quantum” pecuniário, a qualidade da comida e o serviço. E também a localização. Apesar do sítio ser feio, oferece estacionamento com abundância e uma nesga de Tejo. Tudo somado, “O Forte” é uma boa opção.
Este restaurante, onde António Lobo Antunes se comoveria até às lágrimas, comecei a frequentá-lo há cerca de quinze anos, com o Álvaro Alferes, que, tal como eu, se derretia por um anho assado na brasa pelo senhor Joaquim.
Sou tratado com estima e se me apetecer mais uma sardinha, pas de problème. E depois há o senhor Pedro, um rapaz de sessenta anos, que é a personificação da simpatia. E a D. Ismina, que tem um dedo especial para a cozinha.
E tudo isto para dizer que na escolha de um restaurante contam múltiplos factores: Nomeadamente, o “quantum” pecuniário, a qualidade da comida e o serviço. E também a localização. Apesar do sítio ser feio, oferece estacionamento com abundância e uma nesga de Tejo. Tudo somado, “O Forte” é uma boa opção.
quarta-feira, maio 13, 2009

PALAVRAS DE VIDA
Santa Iria de Azóia, 13 de Maio de 2008 – A apresentação do livro Palavras de Vida, onde figuram três poetas populares de Santa Iria de Azóia e/ou em Santa Iria residentes, foi uma cerimónia simples e bastante participada, se atendermos à natureza do evento.
Meia dúzia de palavras do Presidente da Junta, apresentação do livrinho por este vosso amigo, e, finalmente, as palavras simples e muito comovidas de dois dos autores, que são pessoas muito simples. Fui surpreendido pela figura de José Cândido, que, apesar dos seus oitenta e nove anos, se apresentou com uma surpreendente capacidade física e também mental. Acácio Pedro, mais terra-a-terra, agradeceu igualmente comovido e brindou a assistência com uma quadra alusiva ao momento.
O beberete, onde pontificou um Bucelas fresquinho, foi a continuação de um convívio, que, a meu ver, é para repetir, e, se possível fazer escola. Para além do património construído e a construir, há este património imaterial que também é preciso preservar e estimular.
Meia dúzia de palavras do Presidente da Junta, apresentação do livrinho por este vosso amigo, e, finalmente, as palavras simples e muito comovidas de dois dos autores, que são pessoas muito simples. Fui surpreendido pela figura de José Cândido, que, apesar dos seus oitenta e nove anos, se apresentou com uma surpreendente capacidade física e também mental. Acácio Pedro, mais terra-a-terra, agradeceu igualmente comovido e brindou a assistência com uma quadra alusiva ao momento.
O beberete, onde pontificou um Bucelas fresquinho, foi a continuação de um convívio, que, a meu ver, é para repetir, e, se possível fazer escola. Para além do património construído e a construir, há este património imaterial que também é preciso preservar e estimular.
quinta-feira, maio 07, 2009
A convite do Presidente da Junta de Freguesia de Santa Iria de Azóia, ajudei a seleccionar os textos deste livro, que será a memória de quadras - quase só quadras - de Acácio Pedro, Alexandre Monteiro e José Cândido Barros.Não é, seguramente, uma obra-prima; mas é, tenho a certeza, um trabalho honesto, que contribui para honrar aqueles a que eu chamo os "fazedores".Aqui ficam algumas quadras dos três poetas populares.ACÁCIO PEDRO:
Ao sol estava deitada
Mostrando sua beleza
Já um pouco bronzeada
Linda como a natureza
.......................................
Eu nunca mais a deixei
Fui na vida seu amante
No dia que a encontrei
Naquela areia escaldante
ALEXANDRE MONTEIRO:
Deixei a mulher que amava
Já não quero mais amar
Fechei o coração à chave
Atirei a chave ao mar
JOSÉ CÂNDIDO BARROS:
Tu és a varanda do Tejo
Voltada para nascente
Assim bela jamais vejo
Tu encantas toda a gente
Tu és a estrela que me guia
Colina dos meus encantos,
Tu és a fonte de magia
E a musa do Ary dos Santos.
O lançamento é domingo, 1o de Maio, pelas 17H00, na Casa da Cultura, em Santa Iria.
terça-feira, maio 05, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 5 de Maio de 2009 – O Vítor Morais vai estar na Feira do Livro, no próximo sábado pelas 17H30, a fim de autografar o seu romance James Dean Faz Carreira no Bombarral, que as edições Caderno publicaram. Mandam a amizade e a solidariedade que apareça por lá. Lá estarei, amigo e solidário.
domingo, maio 03, 2009
PALAVRAS PERDIDAS
Há quanto tempo, mãe, não te falo de amor
com aquelas palavras de encantar
com que as crianças falam do amor?!
Há dias corei de vergonha,
corei de vergonha quando li,
num livro de cartas de Saint-Exupéry,
as palavras mágicas que ele escreveu a sua mãe
e que eu nunca te disse a ti.
Deixei que entre nós se interpusesse
um pudico silêncio ancestral
e disse-te apenas coisas imediatas e triviais.
Eu esqueci, mãe, aquelas palavras claras e pueris
que tanto alegravam o teu coração.
Eu coro de vergonha, mãe!
Barata, Manuel, FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lisboa, 2005
Há quanto tempo, mãe, não te falo de amor
com aquelas palavras de encantar
com que as crianças falam do amor?!
Há dias corei de vergonha,
corei de vergonha quando li,
num livro de cartas de Saint-Exupéry,
as palavras mágicas que ele escreveu a sua mãe
e que eu nunca te disse a ti.
Deixei que entre nós se interpusesse
um pudico silêncio ancestral
e disse-te apenas coisas imediatas e triviais.
Eu esqueci, mãe, aquelas palavras claras e pueris
que tanto alegravam o teu coração.
Eu coro de vergonha, mãe!
Barata, Manuel, FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lisboa, 2005
sábado, maio 02, 2009
DO MEU DIÁRIO
Sesimbra, 2 de Maio de 2009 – Não é preciso ir à bruxa ou a qualquer outro adivinho para saber que qualquer figura grada do PS que aparecesse no desfile da CGTP seria recebido com uma grande vaia. Também não é preciso ir a Delfos para saber que Vital Moreira sabia o que lhe ia a acontecer. Sendo a realidade o que é, quer-me parecer que Vital cumpriu uma missão, apenas mais uma, pois é consabido que tem cumprido muitas nos últimos tempos, em prol deste governo Queiram ter a bondade de ler o que o insigne jurista e político tem escrito nos últimos tempos e, se honestidade intelectual houver por aí, concluir-se-á que a democrática personalidade foi à Almirante Reis para provocar milhares e milhares de concidadãos.
Não terá sido por falta de coragem que Ilda Figueiredo não compareceu na cabeça da manifestação da UGT, onde, certamente, seria recebida com beijos e abraços pelos democratas que desfilam atrás de João Proença e companheiros. Ilda Figueiredo não foi à manifestação da UGT, porque não era lá o seu lugar e lhe repugnariam, tenho a certeza, tais beijos e tais abraços.
Pela barulhareira que por aí vai, quer-me parecer que a coisa ainda vai chegar ao Vaticano, podendo mesmo o cardeal Ratzinger canonizar em vida o beato Vital, independentemente da natureza da sua fé, porque já fez um grande milagre. Deu o mote para que toda a direita e os xuxialistas possam vomitar ódio sobre a CGTP e o PCP.
E já agora, deixo aqui uma dica, talvez Vital Moreira possa ir no próximo dia treze de Maio a Fátima e, na hora da celebração, aproveitar e cumprimentar os oficiantes. Pena é que o Papa não venha cá este ano, porque então era assim como que a cereja em cima do bolo.
Não terá sido por falta de coragem que Ilda Figueiredo não compareceu na cabeça da manifestação da UGT, onde, certamente, seria recebida com beijos e abraços pelos democratas que desfilam atrás de João Proença e companheiros. Ilda Figueiredo não foi à manifestação da UGT, porque não era lá o seu lugar e lhe repugnariam, tenho a certeza, tais beijos e tais abraços.
Pela barulhareira que por aí vai, quer-me parecer que a coisa ainda vai chegar ao Vaticano, podendo mesmo o cardeal Ratzinger canonizar em vida o beato Vital, independentemente da natureza da sua fé, porque já fez um grande milagre. Deu o mote para que toda a direita e os xuxialistas possam vomitar ódio sobre a CGTP e o PCP.
E já agora, deixo aqui uma dica, talvez Vital Moreira possa ir no próximo dia treze de Maio a Fátima e, na hora da celebração, aproveitar e cumprimentar os oficiantes. Pena é que o Papa não venha cá este ano, porque então era assim como que a cereja em cima do bolo.
quinta-feira, abril 30, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 30 de Abril de 2009 – Parece-me que a pandemia mexicana, comummente conhecida por gripe suína, veio a calhar que nem ginjas para aliviar as tensões resultantes da grande crise em que a crise do “subprime” mergulhou o mundo.
Quem deve estar contente é o ministro dito do trabalho, que cá para mim foi sempre o ministro dos pobrezinhos, porque é o seu ministério que tutela os necessitados que tão abundantes são neste rectângulo desgraçado, onde uns quantos ricos e magnificamente instalados na vida não se cansam de prescrever medidas para tramar os tramados do costume.
Quem deve estar contente são os banqueiros e os gestores das abençoadas empresas públicas e dos monopólios, que enquanto o povoléu discute a pandemia porcina, não discute os seus prémios obscenos e as suas engenhosas engenharias financeiras, que colocaram o mundo à beira da desgraça e ainda têm lata para debitarem acerca da crise e enunciarem medidas para se superar a mesma.
Cá para mim, que só um simples homem do povo, que apenas reteve a palavra “subprime” quando a ouviu pronunciar pela tricentésima vez, essa corja deveria era ir pastar caracóis, o que, bem vistas as coisas, não era grande castigo para as suas incontáveis e indizíveis malfeitorias.
Cá para mim, um milhão de portugueses na rua, amanhã, comedidamente exaltados, mostraria a essa canalha, que Portugal é muito mais do que o país do faz-de-conta. Amanhã, celebra-se o dia do trabalhador. Amanhã é 1º de Maio!
Quem deve estar contente é o ministro dito do trabalho, que cá para mim foi sempre o ministro dos pobrezinhos, porque é o seu ministério que tutela os necessitados que tão abundantes são neste rectângulo desgraçado, onde uns quantos ricos e magnificamente instalados na vida não se cansam de prescrever medidas para tramar os tramados do costume.
Quem deve estar contente são os banqueiros e os gestores das abençoadas empresas públicas e dos monopólios, que enquanto o povoléu discute a pandemia porcina, não discute os seus prémios obscenos e as suas engenhosas engenharias financeiras, que colocaram o mundo à beira da desgraça e ainda têm lata para debitarem acerca da crise e enunciarem medidas para se superar a mesma.
Cá para mim, que só um simples homem do povo, que apenas reteve a palavra “subprime” quando a ouviu pronunciar pela tricentésima vez, essa corja deveria era ir pastar caracóis, o que, bem vistas as coisas, não era grande castigo para as suas incontáveis e indizíveis malfeitorias.
Cá para mim, um milhão de portugueses na rua, amanhã, comedidamente exaltados, mostraria a essa canalha, que Portugal é muito mais do que o país do faz-de-conta. Amanhã, celebra-se o dia do trabalhador. Amanhã é 1º de Maio!
quarta-feira, abril 29, 2009
ABRIL VAI PASSANDO
Abril vai passando, lento,
E com poucas emoções.
O país vive o momento
Dos pulhas e dos ladrões.
Meu Portugal videirinho,
Onde tanto se labuta,
Tudo metes no cuzinho
De certos filhos de puta.
Ergue a cabeça e explode,
Como naquele outro Abril
E verás que quem te fode
Vai de novo pró Brasil
Ou outro sítio qualquer,
Com a fortuna aumentada.
Até te leva a mulher,
Deixando-te cá sem nada.
Abril vai passando, lento,
E com poucas emoções.
O país vive o momento
Dos pulhas e dos ladrões.
Meu Portugal videirinho,
Onde tanto se labuta,
Tudo metes no cuzinho
De certos filhos de puta.
Ergue a cabeça e explode,
Como naquele outro Abril
E verás que quem te fode
Vai de novo pró Brasil
Ou outro sítio qualquer,
Com a fortuna aumentada.
Até te leva a mulher,
Deixando-te cá sem nada.
sexta-feira, abril 24, 2009
quinta-feira, abril 23, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 23 de Abril de 2009 – Eu não sou muito dado a celebrações, porque as celebrações, nacionais e planetárias, são quase sempre uma forma de estimular o consumo. Hoje, no entanto, é um dia especial, porque se comemora o livro e eu tenho um particular afecto em relação aos livros.
E lá fui à bondosa FNAC, que hoje faz um desconto de vinte por cento em todos os livros, onde comprei um Saramago, o último, O CADERNO, um Jorge de Sena, SOBRE TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA, uma antologia de poetas espanhóis (Amalia Bautista, Luís Muñoz e Pablo García Casado), intitulada TRÍPTICOS ESPANHÓIS, organizada por Joaquim Manuel Magalhães, A LEVE TÊMPERA DO VENTO, que é uma antologia de poemas de Carlos de Oliveira, organizada por João Pedro Mésseder e, para terminar esta enumeração, OBRA POÉTICA (1972-1985) de Nuno Júdice.
Ainda perguntei por António Osório; mas, curiosamente, a bondosa FNAC não tinha nenhum António Osório disponível, facto que demonstra que não basta ser bom e grande. Osório não é Santos, nem Margarida, nem Júlia, nem Luísa. Osório é Osório. Ponto. E talvez por isso, não demorei mais de um quarto de hora na dita catedral do livro.
Até para o ano!
E lá fui à bondosa FNAC, que hoje faz um desconto de vinte por cento em todos os livros, onde comprei um Saramago, o último, O CADERNO, um Jorge de Sena, SOBRE TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA, uma antologia de poetas espanhóis (Amalia Bautista, Luís Muñoz e Pablo García Casado), intitulada TRÍPTICOS ESPANHÓIS, organizada por Joaquim Manuel Magalhães, A LEVE TÊMPERA DO VENTO, que é uma antologia de poemas de Carlos de Oliveira, organizada por João Pedro Mésseder e, para terminar esta enumeração, OBRA POÉTICA (1972-1985) de Nuno Júdice.
Ainda perguntei por António Osório; mas, curiosamente, a bondosa FNAC não tinha nenhum António Osório disponível, facto que demonstra que não basta ser bom e grande. Osório não é Santos, nem Margarida, nem Júlia, nem Luísa. Osório é Osório. Ponto. E talvez por isso, não demorei mais de um quarto de hora na dita catedral do livro.
Até para o ano!
segunda-feira, abril 20, 2009
PARIS
Chamam-lhe a cidade luz,
Mas que luz tem a cidade?
Que fascínio seduz
Quase meia humanidade?
Oh, grande e bela Paris!
Oh, generosa cidade!
Não, não se engana quem diz,
Que deixas sempre saudade!
Um café no Luxembourg,
Descer o Saint Michel,
os faquires no Baubourg,
Namorar na Torre Eiffel.
Confesso que fui feliz,
No tempo que lá vivi.
Oh, doce e gentil Paris,
Como é bom gostar de ti!
Mas que luz tem a cidade?
Que fascínio seduz
Quase meia humanidade?
Oh, grande e bela Paris!
Oh, generosa cidade!
Não, não se engana quem diz,
Que deixas sempre saudade!
Um café no Luxembourg,
Descer o Saint Michel,
os faquires no Baubourg,
Namorar na Torre Eiffel.
Confesso que fui feliz,
No tempo que lá vivi.
Oh, doce e gentil Paris,
Como é bom gostar de ti!
sábado, abril 18, 2009
ANDA O POVO DEPRIMIDO
Anda o povo deprimido
Por causa da depressão.
Descobre no comprimido
Um meio de salvação.
Ou num copo de bom tinto
Abundante em Portugal.
Mesmo assim, inda pressinto,
Que não resolve este mal.
Isto, amigos, só lá vai
Combatendo a roubalheira.
E quem a pátria trai
Da forma infame e rasteira.
Anda o povo deprimido
Por causa da depressão.
Descobre no comprimido
Um meio de salvação.
Ou num copo de bom tinto
Abundante em Portugal.
Mesmo assim, inda pressinto,
Que não resolve este mal.
Isto, amigos, só lá vai
Combatendo a roubalheira.
E quem a pátria trai
Da forma infame e rasteira.
quarta-feira, abril 15, 2009
DO MEU DIÁRIO
Capela de S. Pedro Lisboa, 15 de Abril de 2009 – De há muitos anos a esta parte, na segunda-feira de pascoela, a população da Mata desloca-se para o Largo da capela de S. Pedro e terrenos adjacentes, para o piquenique anual, que, de certo modo, também assume o carácter de romaria. Toalha no chão, farnel em cima e muito vinho dos “talheques” locais.
O piquenique não é uma verdadeira tradição – quando eu era miúdo, não se fazia -, mas é uma prática com mais de trinta anos e que se vai arreigando, na alma dos mais novos, e um dia há-de ser tradição.
Sempre apreciei os enchidos da Mata. E também os seus vinhos. Estes são produzidos sem recurso a quaisquer químicos. Na Mata, pode-se dizer, que ainda se bebe como a Natureza o dá. Pena tenho de já não poder alinhar nos desalinhos desta romaria popular.
Pró ano, se tudo correr bem, hei-de passar o S. Pedro na Mata. Até para me vingar de tantas e prolongadas ausências. E aqui fica uma quadra do folclore local:
S. Pedro, Senhor S. Pedro,
Quem vos varreu a capela?
Foram as moças da Mata,
Com raminho de macela.
O piquenique não é uma verdadeira tradição – quando eu era miúdo, não se fazia -, mas é uma prática com mais de trinta anos e que se vai arreigando, na alma dos mais novos, e um dia há-de ser tradição.
Sempre apreciei os enchidos da Mata. E também os seus vinhos. Estes são produzidos sem recurso a quaisquer químicos. Na Mata, pode-se dizer, que ainda se bebe como a Natureza o dá. Pena tenho de já não poder alinhar nos desalinhos desta romaria popular.
Pró ano, se tudo correr bem, hei-de passar o S. Pedro na Mata. Até para me vingar de tantas e prolongadas ausências. E aqui fica uma quadra do folclore local:
S. Pedro, Senhor S. Pedro,
Quem vos varreu a capela?
Foram as moças da Mata,
Com raminho de macela.
segunda-feira, abril 13, 2009
DO MEU DIÁRIO
Moscavide, 13 de Abril de 2009 – Gosto de comer no Safari, que é um restaurante sobriamente burguês, onde venho, quase semanalmente agora, mas que frequento há mais de trinta anos.
O Safari já faz parte da História da minha família. Foi no Safari que a Zélia almoçou diariamente durante a gravidez da Filipa; e, talvez por isso – a História conta-se aos vindouros -, a minha filha sempre gostou de almoçar ou jantar neste restaurante de Moscavide.
Conheço os empregados e os donos, que sempre me trataram bem. Sei o nome de todos, como se todos habitássemos na mesma aldeia. Fomos envelhecendo em conjunto.
Em minha opinião, são estas pequenas coisas que criam os afectos e as raizes. Muito mais do que o cabrito de domingo ou o bacalhau com grão de segunda-feira.
O Safari já faz parte da História da minha família. Foi no Safari que a Zélia almoçou diariamente durante a gravidez da Filipa; e, talvez por isso – a História conta-se aos vindouros -, a minha filha sempre gostou de almoçar ou jantar neste restaurante de Moscavide.
Conheço os empregados e os donos, que sempre me trataram bem. Sei o nome de todos, como se todos habitássemos na mesma aldeia. Fomos envelhecendo em conjunto.
Em minha opinião, são estas pequenas coisas que criam os afectos e as raizes. Muito mais do que o cabrito de domingo ou o bacalhau com grão de segunda-feira.
domingo, abril 12, 2009
QUADRAS QUASE POPULARES
Eu amo este belo país,
Que espera quem não vem.
Terra de gente infeliz
De olhar vago e sempre aquém.
Obediente aos tiranos,
Pouco preza a liberdade.
Passa séculos e anos
Muito atido à caridade.
Um povo quer-se viril
E capaz de fazer frente
Aos que por maroscas mil
O querem triste e indigente.
Eu sei que não fico bem
Em tão severo retrato.
Azar. Português também,
Não mereço melhor trato.
Que espera quem não vem.
Terra de gente infeliz
De olhar vago e sempre aquém.
Obediente aos tiranos,
Pouco preza a liberdade.
Passa séculos e anos
Muito atido à caridade.
Um povo quer-se viril
E capaz de fazer frente
Aos que por maroscas mil
O querem triste e indigente.
Eu sei que não fico bem
Em tão severo retrato.
Azar. Português também,
Não mereço melhor trato.
quinta-feira, abril 09, 2009
DO MEU DIÁRIO
Santa Iria de Azóia, 9 de Abril de 2008 – A fotografia está-me na massa do sangue. Por isso mesmo, contam-se às centenas cá em casa. É uma forma outra de ir escrevendo as minhas memórias ou de guardar memória de objectos, sítios e pessoas, que, num dado momento, me disseram algo.
A convite da Alexandra, colaboro no “blogue” Duas Lentes, onde, um pequeno escol de fotógrafo(a)s amadore(a)s, publica fotografias de grande beleza, e, por vezes, originais e mesmo insólitas. No que me diz respeito, confesso que gosto da experiência, embora me falte a sensibilidade das colegas do “blogue”.
Graças a esta experiência, agora ando sempre munido de uma máquina para captar imagens, aqui e ali, que, à semelhança dos actos de fala, são momentos únicos e irrepetíveis.
A convite da Alexandra, colaboro no “blogue” Duas Lentes, onde, um pequeno escol de fotógrafo(a)s amadore(a)s, publica fotografias de grande beleza, e, por vezes, originais e mesmo insólitas. No que me diz respeito, confesso que gosto da experiência, embora me falte a sensibilidade das colegas do “blogue”.
Graças a esta experiência, agora ando sempre munido de uma máquina para captar imagens, aqui e ali, que, à semelhança dos actos de fala, são momentos únicos e irrepetíveis.
DO MEU DIÁRIO
Lisboa, 8 de Abril de2008 – O meu pai, que nos deixou recentemente, percorreu, de bicicleta, as estradas dos conelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, para trabalhar na capital da Beira Baixa, Monforte da Beira, Ladoeiro, Zebreira, Alcafozes, Salvaterra do Extremo e muitas outras localidades que agora não me ocorrem. Não era um pedreiro ambulante, mas lutava pela vida, tentando ganhar sempre mais para fazer face à vida.
Lembro-me perfeitamente daquele homem pequeno e franzino, que partia às segundas-feiras, para voltar aos sábados à tarde – uns sim, outros não -, pedalando na sua velha pasteleira. Lembro-me de ir esperar o meu pai às Areínhas, sim, no sítio onde se corta para as granjas, que Maria João Pires celebrizou com o nome de Belgais, esperando sempre por um carinho e pelos inevitáveis chocolates espanhóis, que meu pai trazia, vindos de Zarza la Mayor. E caramelos muitos, também. E ceregumil para abrir o apetite, que, mais tarde, havia de ser devorador.
São estas memórias, e só estas, que fazem de nós seres únicos. Eu nunca agradeci devidamente estes pequenos gestos a meu pai, mas eu sei que ele sabia que eu nunca me esquecera dos seus inúmeros sacrifícios para me proporcionar alegria e felicidade. É por tudo isso que, quando o recordo, me surpreende uma lágrima comovida. Diariamente, ainda!
Lembro-me perfeitamente daquele homem pequeno e franzino, que partia às segundas-feiras, para voltar aos sábados à tarde – uns sim, outros não -, pedalando na sua velha pasteleira. Lembro-me de ir esperar o meu pai às Areínhas, sim, no sítio onde se corta para as granjas, que Maria João Pires celebrizou com o nome de Belgais, esperando sempre por um carinho e pelos inevitáveis chocolates espanhóis, que meu pai trazia, vindos de Zarza la Mayor. E caramelos muitos, também. E ceregumil para abrir o apetite, que, mais tarde, havia de ser devorador.
São estas memórias, e só estas, que fazem de nós seres únicos. Eu nunca agradeci devidamente estes pequenos gestos a meu pai, mas eu sei que ele sabia que eu nunca me esquecera dos seus inúmeros sacrifícios para me proporcionar alegria e felicidade. É por tudo isso que, quando o recordo, me surpreende uma lágrima comovida. Diariamente, ainda!
terça-feira, abril 07, 2009
DO MEU DIÁRIO
Forte da Casa, 7 de Abril de 2009 – A culpa das absolvições nos tribunais judiciais não é de Maria José Morgado e de Cândida Almeida. Tão-pouco do procurador-geral do ministério público. A culpa é de todo o sistema judicial portugês, que foi e é permeável à cunha, ao amiguismo e ao compadrio.
Maria José Morgado é apenas uma peça da pesada máquina da justiça, que, não raramente tem mão de chumbo para com os humildes, que condena a pesadas penas; e trata molemente os mais poderosos, não os investigando ou absolvendo-os. As excepções apenas confirmam a regra.
Já Cesário Verde, no Sentimento dum Ocidental, notava, ao passar em frente do Aljube ( ou do Lomoeiro?), que entre as reclusas não havia mulheres de dom. Assim continua a ser, hoje como ontem,
Maria José Morgado é apenas uma peça da pesada máquina da justiça, que, não raramente tem mão de chumbo para com os humildes, que condena a pesadas penas; e trata molemente os mais poderosos, não os investigando ou absolvendo-os. As excepções apenas confirmam a regra.
Já Cesário Verde, no Sentimento dum Ocidental, notava, ao passar em frente do Aljube ( ou do Lomoeiro?), que entre as reclusas não havia mulheres de dom. Assim continua a ser, hoje como ontem,
domingo, abril 05, 2009
DO MEU DIÁRIO
Cotovia, 5 de Abril de 2009 – Acontece-me, com alguma regularidade, sentir-me só, mesmo quando me encontro rodeado de uma multidão. E curiosamente, sentir-me bem acompanhado, na ausência de qualquer alma viva. Vá lá um homem perceber estas e outras contradições em que os seres humanos são férteis.
É verdade que sempre gostei de falar com os meus botões; nomeadamente, quando os que me rodeiam nada podem acrescentar àquilo que eu já sei. Gosto de conversar com quem tenha algo a aprender, porque eu aprendo sempre com a volúpia das crianças, ainda que tenha consciência de que, quando a grande ceifadora chegar, serei apenas um pouco menos ignorante.
Neste preciso momento, sinto-me acompanhado, sozinho, no silêncio deste meu refúgio da Cotovia, ou seja, nos cerca de vinte e oito metros quadrados da minha casinha pré-fabricada, e, tão modesta quanto eu, como cantou o Tim. Apesar da vozearia das crianças e dos progenitores, que enchem de vida o imenso parque de campismo.
Hoje, vou recomeçar a leitura do novo futuro romance de Vitor Morais, meu amigo, que me confiou a leitura há já vários meses, mas que circunstâncias várias me têm impedido de concretizar. O Vitor é um homem de muita qualidade, que escreve bem e é merecedor do meu mais vivo apreço. E estima.
É verdade que sempre gostei de falar com os meus botões; nomeadamente, quando os que me rodeiam nada podem acrescentar àquilo que eu já sei. Gosto de conversar com quem tenha algo a aprender, porque eu aprendo sempre com a volúpia das crianças, ainda que tenha consciência de que, quando a grande ceifadora chegar, serei apenas um pouco menos ignorante.
Neste preciso momento, sinto-me acompanhado, sozinho, no silêncio deste meu refúgio da Cotovia, ou seja, nos cerca de vinte e oito metros quadrados da minha casinha pré-fabricada, e, tão modesta quanto eu, como cantou o Tim. Apesar da vozearia das crianças e dos progenitores, que enchem de vida o imenso parque de campismo.
Hoje, vou recomeçar a leitura do novo futuro romance de Vitor Morais, meu amigo, que me confiou a leitura há já vários meses, mas que circunstâncias várias me têm impedido de concretizar. O Vitor é um homem de muita qualidade, que escreve bem e é merecedor do meu mais vivo apreço. E estima.
sexta-feira, abril 03, 2009
DO MEU DIÁRIO
Lisboa, 3 de Abril de 2009 – Começa a ser surpreendente a capacidade de sobrevivência do primeiro-ministro de Portugal. Se vivêssemos em tempos de reis e rainhas, bem podia ter o cognome de “ O Sobrevivente”.
Sobreviveu à denúncia da forma atabalhoada como tirou o curso de engenharia – e logo engenharia! -; sobreviveu à história mal contada dos projectos de arquitectura (?); sobreviveu governando contra os mais desprotegidos e fingindo atacar as corporações; sobrevive com a embrulhada do Freeport.
Este homem que aprendeu a ler “teletexto”, mas que nunca terá lido com proveito um autor clássico, sobreviveu e sobrevive, porque Portugal nunca foi e não é um país de forte apego à justiça e às liberdades. Portugal gosta de ser governado com autoritarismo, mesmo que o protagonista até tenha voz de falsete. Foi assim com o contabilista de Santa Comba; é assim com o transmontano, que também gosta de ser beirão, que nos governa na actualidade.
E o mais dramático não é o homem sobreviver. O mais dramático é que parece agradar à maioria dos portugueses, que apenas sabe ousar, quando vota nesta gente e deposita fortunas na Dona Branca e no BPP.
Sobreviveu à denúncia da forma atabalhoada como tirou o curso de engenharia – e logo engenharia! -; sobreviveu à história mal contada dos projectos de arquitectura (?); sobreviveu governando contra os mais desprotegidos e fingindo atacar as corporações; sobrevive com a embrulhada do Freeport.
Este homem que aprendeu a ler “teletexto”, mas que nunca terá lido com proveito um autor clássico, sobreviveu e sobrevive, porque Portugal nunca foi e não é um país de forte apego à justiça e às liberdades. Portugal gosta de ser governado com autoritarismo, mesmo que o protagonista até tenha voz de falsete. Foi assim com o contabilista de Santa Comba; é assim com o transmontano, que também gosta de ser beirão, que nos governa na actualidade.
E o mais dramático não é o homem sobreviver. O mais dramático é que parece agradar à maioria dos portugueses, que apenas sabe ousar, quando vota nesta gente e deposita fortunas na Dona Branca e no BPP.
terça-feira, março 31, 2009
quarta-feira, março 25, 2009
sábado, março 21, 2009
AS PALAVRAS
I
Ah, as palavras...
-essas frágeis rosas,
que sustentam
o meu mágico poder!
Com elas amo
e digo a indizível
beleza do teu corpo.
Com elas reinvento,
hora a hora,
a vida e o mundo.
II
Sem as palavras,
não poderia cantar
a casta flor da laranjeira
nem as manhãs de verão.
E como poderia cantar
este país sempre embriagado de sol?
III
Com as palavras tudo faço.
Ás vezes,
até pinto o céu
melhor do que os pincéis
de Picasso.
I
Ah, as palavras...
-essas frágeis rosas,
que sustentam
o meu mágico poder!
Com elas amo
e digo a indizível
beleza do teu corpo.
Com elas reinvento,
hora a hora,
a vida e o mundo.
II
Sem as palavras,
não poderia cantar
a casta flor da laranjeira
nem as manhãs de verão.
E como poderia cantar
este país sempre embriagado de sol?
III
Com as palavras tudo faço.
Ás vezes,
até pinto o céu
melhor do que os pincéis
de Picasso.
DA POESIA
Há quem pense
que é muito fácil
este velho ofício
de versejar.
Há até quem pense
que Bocage,
quando desafiado,
respondia
imediatamente
com decassílabos
sonorosos
e exactos.
Sabem os que fazem
que a espontaneidade
é técnica,
trabalho,
tenacidade.
Há quem pense
que é muito fácil
este velho ofício
de versejar.
Há até quem pense
que Bocage,
quando desafiado,
respondia
imediatamente
com decassílabos
sonorosos
e exactos.
Sabem os que fazem
que a espontaneidade
é técnica,
trabalho,
tenacidade.
SEMPRE AS PALAVRAS
Com palavras constroem verdadeiros monumentos: precários, às vezes; às vezes, teimosamente resistentes. Alguns chegam até nós, vindos do fundo do tempo, frescos e incorruptíveis; outros, igualmente frescos, trazem a pequena mossa da corrupção em notas de rodapé.
Todos esses monumentos – de que os poetas são arquitectos e pedreiros, engenheiros, pintores, carpinteiros -, se falar pudessem, dariam conta de inumeráveis batalhas ganhas com galhardia e perseverança, desde o surgir da pura ideia até ao assentamento da última pedra.
Acreditai-me, ó gentes profanas!, que não é fácil recriar permanentemente o mundo com as humílimas palavras, para vo-lo servir pleno de harmonia em esplendorosas bandejas de oiro.
Manuel Barata, FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lisboa, 2005
Com palavras constroem verdadeiros monumentos: precários, às vezes; às vezes, teimosamente resistentes. Alguns chegam até nós, vindos do fundo do tempo, frescos e incorruptíveis; outros, igualmente frescos, trazem a pequena mossa da corrupção em notas de rodapé.
Todos esses monumentos – de que os poetas são arquitectos e pedreiros, engenheiros, pintores, carpinteiros -, se falar pudessem, dariam conta de inumeráveis batalhas ganhas com galhardia e perseverança, desde o surgir da pura ideia até ao assentamento da última pedra.
Acreditai-me, ó gentes profanas!, que não é fácil recriar permanentemente o mundo com as humílimas palavras, para vo-lo servir pleno de harmonia em esplendorosas bandejas de oiro.
Manuel Barata, FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lisboa, 2005
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