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terça-feira, agosto 18, 2009

DO MEU DIÁRIO

Moscavide, 18 de Agosto de 2009 – Fragmentária Mente saíra este ano, custe o que custar. Sei que o mundo ficará exactamente como está, porque não tenho nada de novo para dizer ou dar ao mundo. Tenho o que tenho e só acontecimentos excepcionis impediriam a publicação deste meu quarto livrito.

Digo livrito, porque se trata de um pequeno livro (capciosamente não escrevi livro pequeno), que, sendo pequeno no formato e no número de páginas, não trará nada de novo ao mundo.
Bem sei que os poetas com p maiúsculo cultivam o conceito, enbrulhando-o em engenhosas formas que encantam e espantam os que lêem. Eu prefiro dizer coisas triviais e de forma trivial. Quero a minha poesia branca e pueril e de mensagem simples, exactamente assim, pois foi assim que três bons amigos já falaram dos meus versos.

E para ser rigoroso vos direi que puer tem sido sempre o meu coração.



sábado, agosto 01, 2009

DO MEU DIÁRIO



Charneca da Cotovia, 30 de Julho de 2009 – É uma questão de amor e as questões de amor não se discutem. Amo Sesimbra como se fosse a minha terra natal. E no entanto, não tenho amigos nesta vila ribeirinha que tanto me seduz.


Comecei a vir a Sesimbra no já longínquo ano de 1973 do século passado. Com o meu tio José Batista. E lembro-me perfeitamente do dia em que fui picado por um peixe-aranha. Podia, obviamente, ter cessado aqui a minha relação com esta simpática vila piscatória; mas às vezes, até me parece que a picada contribuiu para este longo amor.


E como não sou homem para traições, enquanto as pernas mo permitirem, hei-de vir a Sesimbra. Nem que seja para jantar no Tony Bar ou no Velho e o Mar, cujas montras de peixe me fascinam quotidianamente. Ou na Toca do Leão, onde vou com alguma regularidade.


Sesimbra sempre!

DO MEU DIÁRIO

Charneca da Cotovia, 29 de Julho de 2009 – As férias estão a chegar ao fim e não fiz nada das muitas coisas que tinha para fazer. Dormi mais algumas horas do que é costume, fiz de cozinheiro da família e dediquei-me a esta prosa ensossa, que o Manel Ramos nunca encaixou. Eu explico.

O Manel Ramos, que morreu agnóstico há já vários anos, perguntou-me inúmeras vezes a razão pela qual eu escrevia um Diário. Pensava o sábio homem que estes escritos só têm importância quando são escritos por celebridades. Era uma opinião, entre outras, que nunca me levou ao abandono deste meu querido Diário.

Incompatibilizámo-nos alguns meses antes da sua morte, que ninguèm fez o favor de me comunicar. Eu conhecia a ex-mulher, que depois voltou a ser mulher, creio, o irmão António Ribeiro, que foi professor da Faculdade de Ciências, e antigos colegas do Externato Ergon, onde ambos leccionámos. Incomtibilizámo-nos porque o Manel tinha mau feitio e eu também. Guardo dele algumas dezenas de cartas e postais, alguns poemas inéditos e a página da sua autobiografia, onde fala de mim. Uma autobiografia em latim, que não sei se chegou a terminar. Dotado de uma inteligência invulgar, perdia-se com pequenas coisas e com coisa nenhuma. Tinha excesso de inteligência e uma preguiça crónica. As cartas, por vontade do próprio, nunca serão publicadas.

Foi um dia bonito e refractário à rotina. Recebemos a visita de um casal amigo, com o qual partlhámos a nossa humilde mesa e tivemos uma vasta e agradável conversa, sob o olhar distante, calmo e fresco da Arrábida. Ponto.