quarta-feira, julho 13, 2011


um quadro de Ribeiro Farinha

PROMETEU

I

Onde estão os meus corcéis?
Tragam-me os meus corcéis,
Que quero rápido cruzar os céus
À procura de um novo sol.


II

Vinde cá,
Meus cavalinhos de oiro,
Vinde cá!
E levai-me a todas as galáxias,
Que quero encontrar
Uma nova luz.


III

Meus cavalinhos de oiro,
Meus fogosos corcéis!
Levai-me,
Levai-me a todos os pontos do universo,
Que quero encontrar
Uma nova fonte de fogo.

In FRAGMENTOS COM POESIA, Ulmeiro, Lisboa, 2005

SANTA IRIA DE AZÓIA



QUADRAS PARA UMA OLIVEIRA



da vila de Santa Iria



A oliveira milenar,
Que vive em Santa Iria,
Se nos pudesse falar,
Que histórias contaria?

Esta robusta oliveira,
Plantada ou aqui nascida,
É testemunha primeira
De três mil anos de vida.

De Homero contemporânea
Merece ser bem tratada.
Que viva, pois, espontânea,
E não lhe façam mais nada.

Procedam só à limpeza
E não lhe provoquem danos.
É força da Natureza
P’ra resistir muitos (mais mil) anos.


(inéditas)

domingo, julho 10, 2011

ERICEIRA, A GRANDE SEDUTORA

Ericeira, um amor à primeira
A vila da Ericeira
É um festival de azul.
Linda terra marinheira,
Única de norte a sul.

Seja Inverno seja V’rão,
O que eu gosto da Ericeira!
Ali o mar tem o condão
De ser visto sem canseira.

E depois há os petiscos,
Uns copinhos de cerveja
E os saborosos mariscos.
Venha daí, prove e veja,

Das muitas ondas a alvura,
Dos petiscos o sabor.
Do mar vem música pura,
Que acompanha com primor.

Caldeirada é “Mar d’ Areia”
A Egídio encomendada.
Quem almoça já não ceia,
Que ali não se estraga nada.

Quem visita a Ericeira
Ali volta, de certeza;
É-se encantado à primeira
Com tanta, tanta beleza.

(inéditas)

domingo, julho 03, 2011

ESTADO DE ALMA

Esta tristeza é só minha,
Não a quero partilhar.
Do vinho da minha vinha
Bebamos até cantar.

Quero saber onde mora
Aquela doce alegria,
Tão garrida e tão sonora,
Tão tepleta de magia.

Às vezes, vejo no João
O rapazinho que eu era.
Ó calma de fim de V'rão,
Devolve-me a Primavera!

Deixa-me alegre brincar
À palmada e ao pião;
Ou só à bola jogar,
na rua, com o João.

in FRAGMENTOS COM POESIA, ULMEIRO, Lisboa, 2005.

sábado, julho 02, 2011

na coluna granítica esteve instalada a picota

AUTOBIOGRAFIA BREVE

Cheguei numa manhã de Junho, segunda-feira, e já o sol ia alto. Chovia. Esperavam-me, ansiosas, minha mãe e minha avó paterna.
Cheguei, pois, em dia de sapateiro, como se dizia na minha aldeia.
Cheguei gato-esfolado, contaram-me mais tarde; todavia, com muita vontade de me fazer à vida.

Ao contrário de Daniel Abrunheiro, que daqui quero saudar fraternalmente, eu não cheguei atrasado. Cheguei a tempo, muito a tempo, para da vida ir colhendo múltiplas alegrias e tristezas, que ela é temperada com umas e outras.

Cheguei a tempo de conhecer um país pequenino, que os próceres do regime, dirigido pelo beirão de Santa Comba, estendiam da parte mais ocidental da Europa até Timor. Era um Portugal miserável, triste e sem humor, do qual herdei esta perseverante e amarga ironia.

Cheguei a tempo de conhecer o exílio e de saber quão amargo é viver longe da pátria, mesmo quando o afastamento resulta de uma decisão livre ou ditado pelo amor à liberdade; ou ainda, quando pela pátria nos é imposto. Oh, como eu compreende o imortal Ovídio!

Cheguei a tempo de ajudar à festa e da festa me embriagar e da ressaca, que ainda vai teimosamente perdurando, apesar do vinho bebido não ter sido muito e nem sempre ser da melhor qualidade. Se preciso fosse repetir tudo de novo, tudo de novo repetiria (Por favor, não me macem com os pleonasmos)!

E por cá vou andando, com a pele às costas, nada reclamando do amor e dos amigos. Da pátria sim, reclamo, porque sempre a quis mais livre e mais fraterna!

sexta-feira, julho 01, 2011

O TEMPO

FIM DE TARDE

O tempo – essa coisa misteriosa que se conta em milénios, séculos, anos, meses, dias, horas e segundos – alguém saberá ao certo o que é? E no entanto, nada escraviza mais o Homem do que o tempo, que as gramáticas organizam em passado, presente e futuro, mas que, no fundo, é apenas passado e futuro.


O tempo – essa coisa estranha que dá alento aos tiranos e torna precárias as acções dos heróis, que destrói as verdades eternas dos teólogos e os sistemas infalíveis dos filósofos, que tudo e todos condena ao esquecimento – alguém saberá ao certo o que é?


No seu perpétuo fluir, o tempo é o tempo, como diria o delicioso Caeiro.


Para mim, que não sou poeta nem literato, mas simplesmente um amigo de poetas e literatos, o tempo é o sol a levantar-se preguiçosamente do Tejo - é assim que eu o vejo das janelas da casa onde habito- que depois sobe e roda e desce, devagarinho, para desaparecer por detrás das casas, para de novo se levantar das mansas águas do Tejo e subir e rodar e descer e desaparecer e de novo se levantar das mansas águas do Tejo.

quinta-feira, junho 30, 2011

DUAS QUADRAS
Para Quevedo
Na minha biblioteca
Há mais mortos do que vivos.
É fácil e nunca seca
Conviver com tantos divos!

Com estes defuntos queridos,
Aprendo no dia-a-dia.
Sisudos ou divertidos,
Todos me dão alegria.

(inéditas

segunda-feira, junho 27, 2011

DO MEU DIÁRIO

Praça do Burgo

Torre de Armas (beffroi)


Bruges, 20 de Junho de 2011 – É certo que ninguém poderá conhecer o mundo inteiro; porém, viajante que se preze, há-de, pelo menos uma vez na vida, passar por esta cidade belga.


Apanhei o comboio na estação de Lille-Flandres e lá fui até Bruges, cidade toda ela monumental, desde a casa de habitação mais humilde até aos grandes edifícios públicos ou às magníficas construções religiosas. Tem todas as marcas de um antigo e excepcional entreposto comercial, tal como o fora Veneza durante centenas de anos.


E as comparações com a pérola do Adriático vão até mais longe, porque Bruges também tem água e canais - sem a profusão de Veneza, claro -, onde o visitante também pode fazer a sua volta de barco. E até a confeitaria aproxima estas duas cidades, onde o chocolate é rei. Faltam-lhe o vidro de morano e as máscaras de carnaval.


Quem sai da estação dos caminhos-de-ferro depara-se de imediato com uma enorme mancha verde, que, de certo modo, esconde o que lá mais à frente, seja qual for o caminho que se siga, se verá. E depois cai-se numa espécie de museu a céu aberto, não sabendo o visitante impreparado por onde começar. No entanto, mesmo que não se faça um dos percursos indicados nas publicações turísticas, o visitante acabará sempre pior ter um dia cheio de beleza e agradáveis surpresas.


As praças do Mercado e do Burgo são, sem quaisquer dúvidas, as mais importantes desta cidade belga surgida já tardiamente, no século IX. Na praça do Mercado, encontra-se a famosa torre de armas, o befrroi, que é o verdadeiro ex-libris da cidade. É também nesta praça, um verdadeiro “fórum”, que se juntam os naturais de Bruges e os incontáveis turistas. Lá encontrará o visitante a incontornável – perdoe-me o leitor o abuso deste adjectivo – FNAC.


Enumerar aqui os museus e as igrejas, os canais e as pontes, seria fastidioso. Pegue o leitor nas suas pernas, e, se puder, ponha-se a caminho de Bruges, ou seja, de um vasto museu, onde vivem cerca de cento e quinze mil pessoas. N'oubliez pas votre parapluie!

domingo, junho 26, 2011

DO MEU DIÁRIO

La Grand'Place (Lille)

Lille, 19 de Junho de 2011 – Quem quiser conhecer uma cidade a sério, há-de calcorrear-lhe as ruas. Os autocarros para turistas são úteis, mas mostram de passagem e com conversa pré-gravada. Uma cidade como Lille merece sempre um olhar atento.

A rua Nationale é uma das ruas estruturantes da cidade nova. Subindo-a até ao seu termo, o visitante fica na Grande Praça, ou Grand’ Place ou Place Général Charles de Gaulle, o mais conhecido filho da terra. É uma praça de grandes dimensões, cuja harmonia arquitectónica resulta de uma mistura de estilos e de cores, que lhe conferem um carácter próprio. Por detrás encontra-se o antigo Palácio da Bolsa e numa relação de contiguidade a Ópera de Lille. São bem visível em todo aquele centro da cidade o denominado estilo flamengo “Flamboyant”.

A Place Charles de Gaulle tem sido ao longo dos séculos o coração de Lille, ainda que se encontre já fora do perímetro da cidade velha. Outrora, terá sido um espaço adequado à realização de feiras e mercados, paradas militares e outros acontecimentos de relevo. Na actualidade, dá guarida a cafés e esplanadas, restaurantes e até a uma incontornável FNAC. Dir-se-ia que a praça faz jus ao carácter mercantil que sempre caracterizou esta cidade do norte de França, vizinha dos grandes portos comerciais dos Países Baixos.

Não sei bem porquê, mas lembrei-me do romancista Fernando Campos e de uma das suas personagens de A SALA DAS PERGUNTAS, ou seja, do nosso grande Damião de Góis, que terá sido um amigo de Erasmus de Roterdão e que representou Portugal na antiga Flandres.

DO MEU DIÁRIO

Vitrais- Sacré Coeur - Lille

Lille, 18 de Junho de 2011 – Em Lille, a cidade natal de Charles de Gaulle, que é nome de muitas ruas, avenidas e praças e avenidas, em todo o hexágono – e até de um aeroporto, em Paris - sente-se bem a diferença de temperatura. Céu farrusco. Plúmbeo não que é erudito e eu não estou cá para eufemismos!
A capital da Flandres francesa é uma industriosa cidade – entenda-se industriosa no seu sentido mais lato –, habitada por cerca de duzentas e vinte mil almas, das quais cem mil estudam nos diversos graus de ensino das suas abundantes escolas, públicas e privadas. Daí que Lille seja uma cidade alegre e muito jovem.
A igreja do Sacré Coeur, quase paredes meias com o local onde me encontro alojado, é um monumento que merece visita. E foi o que eu fiz há cerca de uma hora. Tive direito a ouvir o coro e a um passa-bem do prior local.
Começa bem esta visita ao berço do General que simbolizou a resistência francesa no fim da guerra de 39-45 e que os franceses elegeram, na década de sessenta, como presidente da república. E que haveriam de apear do poder na sequência do Maio-68.



Lille (à noite, no hotel), 18 de Junho de 2011 – Vistas bem as coisas, teremos que concluir que a Europa é mais una do que se crê por aí. A Europa “kitch” dos mass media parece-me definitivamente instalada: os mesmos programas de televisão, os mesmos jornais, as mesmas revistas pink, etc. No mínimo o kitch e o pink unem uma certa Europa. E também os mendigos que surgem por todo o lado.
Em França já começou a pré-campanha para as presidenciais. Os candidatos vão surgindo e Sarkozi, o pequeno homem dos saltos altos, será reeleito. Porque os franceses, que todos supúnhamos mais esclarecidos, afinal de contas são como os restantes europeus.
De Gaulle, Pompidou, Giscard d’Estaing e Miterrand já são, até para mim que não sou dado a essas coisas, saudosos presidentes de França.

sexta-feira, junho 24, 2011

DO MEU DIÁRIO

Gare du Nord-TGV

Paris-Lille (TGV), 18 de Junho de 2011 – Apesar da crise portuguesa, eu estava a precisar de uns dias fora, longe dos Crato, dos Medina e dos Duque, que, independentemente de terem razão ou não, foram ao longo de muitos meses contribuindo para a nossa depressão colectiva.


Nada pior do que um país perder a sua saúde mental!


Eu estava a precisar destes dias longe da pátria, porque só eu sei ( e o Zé Ribeiro também), quão difíceis foram este ano e o transacto.E eu quero preservar a minha saúde mental.


Escrevo no TGV. É a primeira vez que utilizo o “Train Grand Vitesse”, que os Drs. Crato, Medina e Duque tanto abominam. Eu cá imagino-me em 1865 e do que seria de Portugal se, com dívidas e deficit, não tivesse ficado ligado à velha Europa. Não teriam chegado os livros e as experiências de que fruíram os homens da geração de 70.


A paisagem é engolida pela velocidade do comboio. Só posso ter desta rápida viagem uma opinião impressiva. Vou ficar por aqui até Lille.

quinta-feira, junho 23, 2011

La Géode

La Grande Halle


Paris, 18 de Junho de 2011 – Ontem, por achar que tinha sido demasiado “kitch”, omiti a voltinha no Sena, numa das “Védettes du Pont Neuf”. Mas juro aqui a pés juntos, que não voltarei a cometer omissões deste jaez. Pois foi, voltinha no Sena, que, ao contrário do ulissiponense Tejo, permite observar sempre as duas margens. Fiquei a saber que a ilha de S. Luís é o sítio mais caro da Cidade e que a ponte Alexandre III é a mais elegante de todas.


Pequeno almoço no hotel, copioso, que o almoço, se acontecer, será em Lille, lá para as quatro da tarde.


Hoje, o dia começou cedo, porque todo o tempo é pouco, quando se anda por estas paragens. Um namoro antigo, obviamente. Ida à cidade da ciência e da Indústria, em la Villette, que começa com esta pergunta a um carteiro:

- Por aqui também se vai para a Cidade da Ciência, senhor?


A resposta não se fez esperar, ainda que muito diferente da que era esperada:


- Como sabe, Senhor, a ciência não é o meu forte. Eu sou apenas um pobre carteiro.


Percebi imediatamente e continuei o meu caminho ao longo do belo canal de La Villette. Trezentos ou quatrocentos metros andados, descobri o “Grand Halle”, que, intuição minha, é parte da construção em ferro que existia no Marais (olá Lídia Martinez!), onde, em 1970, se comemoraram os noventa anos de Pablo Ruiz Picasso. O estilo é Baltard ou Napoleão III.


Entrei na livraria, onde adquiri uma antologia de poesia árabe e constatei a existência de dois poetas portugueses. Fernando António, sim o Nogueira Pessoa, e Herberto Hélder. Curiosa a fotografia do livro de Herberto Hélder; porém, não vos direi porquê. Ou talvez vos diga, lá para o fim destes escritos franceses.


Chuvinha com fartura. Apesar de tudo, ainda tive tempo para fotografar a “Géode”. Depois reapropriei-me das malas e pus-me a caminho da “Gare du Nort”, que o TGV não espera.

quarta-feira, junho 22, 2011

DO MEU DIÁRIO

Orly

Lisboa (aeroporto), 17 de Junho de 2011 – 9h45. O avião permanece em terra. No mínimo, partiremos com vinte minutos de atraso. Se cada minuto deste atraso correspondesse a um ano de nosso atraso em relação aos nossos parceiros mais avançados da Europa, poder-se-ia dizer que andamos vinte anos atrasados.


Paris (Orly), 17 de Junho de 2011 – Vinte minutos à espera por um espaço e por uma escada para sair do avião. O comandante (João Couceiro) vai, fazendo o seu trabalho, debitando estas preciosas informações. Tempo cinzento e ameaçador, nos arredores de Paris.


Finalmente, o espaço e a escada para a saída. Todos para o autocarro, que a Gália não é diferente da Lusitânia!


Odisseia nos transportes públicos até Porte de la Villette, que é nas portas da cidade que os viajantes mais pobres se podem albergar.


Jantarinho no coração da movida parisiense – a dois passos do Boulevard Saint Michel - , alinhando numa daquelas sugestões escritas a giz na ardósia: “petite salade, agneau et verre de vin”. O coração de Paris - S. Michel e Saint Germain – está repleto de restaurantes para turistas e estudantes, que, no caso vertente, é quase a mesma coisa.Restaurantes chineses, japoneses, turcos, espanhóis de tapas e também da boa e celebrada comida tradicional francesa. Um dia encontraremos por ali um Tico-Tico e /ou uma lusa churrasqueira, onde se hão-de celebrar os santos populares de Lisboa, no mês de Junho.


23h00. Nova pancada de água e regresso de metro ao hotel. Na rua de Rivoli há agora inúmeros semelhantes nossos que passam a noite a céu aberto, embrulhados em cobertores e sei lá eu que mais. É a França de Sarkozi e dos seus amigos de direita, que já não faz jus à tradicional tríade: liberdade, igualdade e fraternidade.

quinta-feira, junho 16, 2011



HÁ CINQUENTA ANOS




Há cinquenta anos, quando nós ainda éramos todos, eu tinha seis anos e era feliz.

Nunca festejávamos os meus anos. E só sabia que fazia anos, porque a minha mãe me dizia: “hoje fazes anos, filho!” E eu, contente por fazer nos, corria pela rua e anunciava aos rapazes e às raparigas que era o dia dos meus anos.

Nós brincávamos sempre na rua, que era o prolongamento natural das nossas casas, que tinham quase sempre as portas semiabertas ou semicerradas que para o caso tanto faz. Era a rua Nova da Escola, que não tinha ainda estes paralelos ásperos, que continuam a causar-me irritação. A rua era térrea e quando chovia ficava lamacenta e nós brincávamos com a água das poças e por vezes chapinhávamos e sujávamos as saias das raparigas já casadoiras e fugíamos para nos rirmos delas.

E construíamos casinhas, imitando os nossos pais. E nelas mostrávamos o peixe às raparigas e elas nos mostravam o cochicho, sim, peixe e cochicho, que era assim que, puerilmente, chamávamos aos nossos sexos.

Hoje já não somos todos! E os que somos já não nos alegramos com a candura de outrora. Agora, às vezes, fazemos anos para nos dizermos que ainda somos; porém, arredios da simpleza e da alegria de, quando criança, minha mãe me dizia: “hoje fazes anos, filho!” E eu corria pelo interior do sol de Junho a dizer aos rapazes e às raparigas que fazia anos.

Vertiginosamente, a névoa vai tomando conta dos nossos olhos e os nossos corações deixaram, há muito tempo, de rejubilar com o alvorecer dos dias.


Nota– Sim, Pessoa está presente. Pessoa e Caeiro. Porém, foi assim mesmo a minha infância.

terça-feira, junho 14, 2011

AMEIXEIRA

Florida a vistes e agora aqui a tendes de frutos carregada


AINDA E SEMPRE O TEMPO

Na minha parcimoniosa produção escrita publicável, o tempo tem ocupado um lugar privilegiado. Se me perguntarem porquê, sou capaz de entaramelar uma resposta pouco lógica e plausível. Sobre o tempo escrevo, mesmo quando o tema é a brisa que passa, a frágil rosa, a doce ameixa, o riso divertido de meu pai.

Na verdade, amada, até quando do nosso amor falo, lá aparece o tempo a tudo balizar. Ora cronológico, ora meteorológico, ora psicológico! Ora…

O tempo agarra-se-nos à pele ainda antes do alvorecer e connosco continua para lá do definitivo anoitecer.

sábado, junho 11, 2011



NÃO ME VENHAM DIZER A MIM



Não me venham dizer a mim
Que já não há milagres!...




Inda ontem, sexta-feira,
o milagre aconteceu,
quando à infância regressei,
no sabor dum damasco.




Foi na Mata,
Onde os damascos
São suculentos e doces
Como as laranjas de Jafa.




Não me venham dizer a mim,
Que já não há milagres!...






(10.06.2011)

sexta-feira, junho 10, 2011

POEMA

companheiro!

chegou a hora de juntar
as pedras
e chama-las pelos nomes,
antes que os rios enlouqueçam
e a terra fique seca
como a pele dos sapos.

Um dia
Tiraremos vinho do cotovelo
-sobretudo tinto-
quando as torres das catedrais
forem pássaros de cristal
a cortar o silêncio
de uma gota de água
a cair na areia.

Como vagabundos
sem dinheiro
em cada madrugada
faremos a lenta travessia
entre o deserto
que estreita o futuro
e a arca de porcelana
onde guardamos
os sonhos.

-em nome da paciência
e pelas casas que o teu
construiu
no tempo em que as cerejas
não tinham vergonha
de amadurecer em Maio.

Com um grande abraço de PARABÉNS

Massamá, 09 de Junho de 2011

Manuel Ribeiro Vaz

quarta-feira, junho 08, 2011

DO MEU DIÁRIO





Fotografias da Rua dos Vencedores

Santa Iria de Azóia, 8 de Junho de 2011 – A cidadania também se exerce trazendo ao conhecimento público as mazelas que nos são vizinhas. E não há que levar a mal a denúncia de situações que carecem de soluções rápidas e eficazes.
Eu vivo no Bairro do Cativo, em Santa Iria de Azóia, donde se vê o Tejo e a linha do norte e a ponte Vasco da Gama. Vivo num bairro de vivendas, de génese ilegal quase todas, mas que já tem alvará de loteamento desde 2005. Para o bem e para o mal, tenho pertencido à direcção da AUGI e à Comissão de Melhoramentos. Bem sei que podia trabalhar mais e melhor, mas vou fazendo o que me é solicitado e que mais se coaduna com as minhas competências.


E hoje quero falar do meu Bairro, onde cultivo roseiras e contemplo as rosas e outras flores do meu pequeno jardim. Hoje quero falar da Rua dos Vencedores, a artéria mais movimentada do bairro e que se encontra esburacada, ou seja, capaz de danificar automóveis e até de provocar acidentes. É uma rua que carece de repavimentação urgente.


Bem sei que há logo quem venha dizer que a Junta assim, que a Junta também, que a Junta, etc. A Junta não tem meios para resolver este problema, que implica gastos mais ou menos avultados. É da competência da Câmara Municipal de Loures tratar deste assunto. E não vale vir com conversas da treta.


Nestas coisas, as cores partidárias ficam de fora dos textos.
A DEPRESSÃO

Anda o povo deprimido
Por causa da depressão.
Descobre no comprimido
Um meio de salvação.

Ou num copo de bom tinto
Abundante em Portugal.
Mesmo assim, inda pressinto,
Que não resolve este mal.

Isto, amigos, só lá vai
Combatendo a roubalheira.
E quem a pátria trai
De forma infame e rasteira.


(inéditas)

terça-feira, junho 07, 2011

QUADRAS EM LOUVOR DO SENHOR BELMIRO

As OPA (s) do ti Belmiro,
Não são opas de vestir.
Este homem, que tanto admiro,
Até faz as pedras florir.

Floresce o grupo Sonae
Tão vertiginosamente,
Que produz lucros num ai
Encantando toda gente.

Só Portugal permanece
Na cauda da velha Europa.
Será que quem enriquece,
Tem respeitinho p’la tropa?

Portugal merece mais
Respeito e dedicação.
Há por aí uns pardais
Que comem tudo grão a grão.

(inéditas)