Nas manhãs de Junho,
Quando o sol tudo doirava,
A nossa casa era também
A sombra da oliveira
Do outro lado da rua.
Guardo memória, mãe!,
Da nossa rua térrea
E vejo-te jovem
Algodão dobando
À sombra da oliveira
Do outro lado da rua.
Nas manhãs de Junho,
Quando o trigo amadurecia
E eu brincava brincava
À sombra da oliveira
Do outro lado da rua.
Fazia-te mil perguntas
- mil ou muitas mais -
E tu respondias sem enfado
À sombra da oliveira
Do outro lado da rua.
E eu era feliz
E tu eras feliz, mãe!,
À sombra da oliveira
Do outro lado da rua.
Do outro lado da rua
À sombra da oliveira.
segunda-feira, setembro 25, 2006
ESMERALDA PERDIDA
Em memória de minha avó paterna, Maria,
de seu nome completo.
Muito erecta em seu balcão,
De cores tristes vestida,
Cantava toda a manhã.
Os cabelos penteava
E rimas lançava ao vento
Pr’ afastar a solidão.
Sua voz tinha magia,
Tristeza muita e profunda,
E cantava todo o dia…
Ó querida velha tonta!,
-Minha esmeralda perdida,
Onde cantarás agora?
domingo, setembro 24, 2006
AO CONTRÁRIO DE BORGES
Ao contrário de Borges, há muito tempo que dissipei as dúvidas. Não haverá “ciclo segundo”. E mesmo as cidades, quando as sabemos dos escombros erguidas, ainda que ocupem o mesmo espaço, nunca são as mesmas.
Um dia, não quando a luz deixar de ser visita dos meus olhos, mas sim quando a máquina que bate dentro do meu peito, refractária se tornar ao seu incessante trabalho, ao crepúsculo terei chegado.
Não haverá “ciclo segundo”.
O que já foi, nunca mais voltará a ser.
Um dia, não quando a luz deixar de ser visita dos meus olhos, mas sim quando a máquina que bate dentro do meu peito, refractária se tornar ao seu incessante trabalho, ao crepúsculo terei chegado.
Não haverá “ciclo segundo”.
O que já foi, nunca mais voltará a ser.
A PRIMAVERA
Quando as laboriosas andorinhas chegavam, anunciando a Primavera, revigorada, a esperança enchia os nossos corações.
As ruas eram então inundadas de cor e alegria, de prolongados bruaás e de muitas correrias.
Irresistivelmente seduzidos, completamente ébrios, fazíamos desses primeiros dias de sol uma festa permanente.
E brincávamos, todo o dia, com imaginários brinquedos e alheios ao fluir do tempo.
As ruas eram então inundadas de cor e alegria, de prolongados bruaás e de muitas correrias.
Irresistivelmente seduzidos, completamente ébrios, fazíamos desses primeiros dias de sol uma festa permanente.
E brincávamos, todo o dia, com imaginários brinquedos e alheios ao fluir do tempo.
quinta-feira, setembro 21, 2006
ROUXINOL
Eu tenho inveja de ti
- ó sublime rouxinol-,
Que voas
E cantas
E longe
E alto levas
O teu canto!
Enquanto eu
- simples aspirante a cantor-,
Sou incapaz
De dar asas
E levar longe
E alto
O meu humilde canto.
Eu,
Humano
E sensível,
Tudo faço
Ao rés-da-terra.
- ó sublime rouxinol-,
Que voas
E cantas
E longe
E alto levas
O teu canto!
Enquanto eu
- simples aspirante a cantor-,
Sou incapaz
De dar asas
E levar longe
E alto
O meu humilde canto.
Eu,
Humano
E sensível,
Tudo faço
Ao rés-da-terra.
quarta-feira, setembro 20, 2006
PRAZER - 2
Uma garrafa de vinho
- e tinto de preferência -,
três amigos e uma mesa
e vamos ter, com certeza,
uma animada conversa.
Outra garrafa de vinho,
- corre a coisa de feição -,
para aos golinhos beber,
que a chuva na vidraça
não consegue importunar
a feliz hora que passa.
Só mais uma prá sossega.
desfiam-se recordações:
livros, passeios, noitadas,
músicas, danças, mulheres,
petiscos, copos e festas.
Amanhã, em minha casa!
Amanhã, nova viagem!
- e tinto de preferência -,
três amigos e uma mesa
e vamos ter, com certeza,
uma animada conversa.
Outra garrafa de vinho,
- corre a coisa de feição -,
para aos golinhos beber,
que a chuva na vidraça
não consegue importunar
a feliz hora que passa.
Só mais uma prá sossega.
desfiam-se recordações:
livros, passeios, noitadas,
músicas, danças, mulheres,
petiscos, copos e festas.
Amanhã, em minha casa!
Amanhã, nova viagem!
PRAZER - 1
PRAZER - I
Sim, era puro prazer
o que sentia, no V’ rão,
quando a janela abria
e o doce bafo do dia,
suave, acariciava
ternamente a minha pele.
então, os olhos abria
e sorvia, inteiro, o oiro
fresco do astro sublime.
E assim começava o dia!
Sim, era puro prazer
o que sentia, no V’ rão,
quando a janela abria
e o doce bafo do dia,
suave, acariciava
ternamente a minha pele.
então, os olhos abria
e sorvia, inteiro, o oiro
fresco do astro sublime.
E assim começava o dia!
terça-feira, setembro 19, 2006
NOSSA SENHORA DA PÓVOA
Ao Dr. Torrão, excelente anfitrião de poetas.
Nossa Senhora da Póvoa,
No Vale, tem sua morada,
Onde vela toda à hora
Por quem passa na estrada.
Por quem passa na estrada,
Por quem vai ao Sabugal.
Vive ali tão recatada
No seu meio natural.
O seu sereno sorriso
Transmite serenidade.
Vive ali no paraíso,
Vero reino da bondade.
Nossa Senhora da Póvoa
Dai-nos saúde e alegria;
E aos nossos moços e moças
Dai-lhes força e valentia.
Eu hei-de dar à Senhora
Um vestido de valor
De puro linho de outrora
Vindo de Penamacor.
Manuel Barata
Nossa Senhora da Póvoa,
No Vale, tem sua morada,
Onde vela toda à hora
Por quem passa na estrada.
Por quem passa na estrada,
Por quem vai ao Sabugal.
Vive ali tão recatada
No seu meio natural.
O seu sereno sorriso
Transmite serenidade.
Vive ali no paraíso,
Vero reino da bondade.
Nossa Senhora da Póvoa
Dai-nos saúde e alegria;
E aos nossos moços e moças
Dai-lhes força e valentia.
Eu hei-de dar à Senhora
Um vestido de valor
De puro linho de outrora
Vindo de Penamacor.
Manuel Barata
segunda-feira, setembro 18, 2006
TRÍPTICO PARA GUEVARA
I
Ernesto
Tinha uma moto
E gostava
De viajar.
Ernesto sabia
De firme saber
Que a geografia
Se aprende
Em cada lugar.
Um dia,
Deixou mulher e filhos
E partiu.
II
A melancolia
Era só exterior.
Ernesto
Tinha
Dentro de si
Um indomável
Corcel.
E um coração
Apaixonado
Como Carlos Gardel.
III
Cansado
Da pátria placidez
E de sonhos
A transbordar
Deixou mulher e filhos
Para não mais voltar.
E o ignoto médico dentista
- asmático por sinal –
Transformou-se
No símbolo
Da revolução universal.
Ernesto
Tinha uma moto
E gostava
De viajar.
Ernesto sabia
De firme saber
Que a geografia
Se aprende
Em cada lugar.
Um dia,
Deixou mulher e filhos
E partiu.
II
A melancolia
Era só exterior.
Ernesto
Tinha
Dentro de si
Um indomável
Corcel.
E um coração
Apaixonado
Como Carlos Gardel.
III
Cansado
Da pátria placidez
E de sonhos
A transbordar
Deixou mulher e filhos
Para não mais voltar.
E o ignoto médico dentista
- asmático por sinal –
Transformou-se
No símbolo
Da revolução universal.
AMAR
É estar sentado, contigo,
À porta da nossa casa
Numa noite de Verão.
E ao luar,
Absorto,
No voo
Dos meus pensamentos,
Comer tâmaras,
Em paz.
E saber, amor,
Que esperas
Que a brisa passe
E eu procure,
Ternamente,
A tua face.
Manuel Barata
À porta da nossa casa
Numa noite de Verão.
E ao luar,
Absorto,
No voo
Dos meus pensamentos,
Comer tâmaras,
Em paz.
E saber, amor,
Que esperas
Que a brisa passe
E eu procure,
Ternamente,
A tua face.
Manuel Barata
sábado, setembro 16, 2006
DE CAMÕES E PETRARCA
Petrarca nada sabia
Do amor de carne e osso.
Laura é construção mental,
Palavras e nada mais.
A senhora que Camões
Tanto desejava ver,
Tinha morada na Terra
E gostava de foder.
Pelo foder ultrapassa
Luís Vaz o seu modelo.
Que o ítalo nunca viu
Uma rapariga em pêlo.
Manuel Barata
Do amor de carne e osso.
Laura é construção mental,
Palavras e nada mais.
A senhora que Camões
Tanto desejava ver,
Tinha morada na Terra
E gostava de foder.
Pelo foder ultrapassa
Luís Vaz o seu modelo.
Que o ítalo nunca viu
Uma rapariga em pêlo.
Manuel Barata
SENHORA DO ALMORTÃO
Para o Dr. Rui Rodrigues.
Senhora do Almortão
Dai-nos paz e harmonia.
Dai-nos muita devoção
e vontade de folia.
Em frente desta capela,
Cantaram nossos avós.
Trazidos p’la mesma estrela,
Agora cantamos nós.
Nossas mães aqui cantaram
Com alegria e paixão
E com nossos pais dançaram
Ao som do acordeão.
Nossos filhos hão-de vir
Pra manter a tradição.
É promessa pra cumprir,
Ó virgem do Almortão!
Manuel Barata
Senhora do Almortão
Dai-nos paz e harmonia.
Dai-nos muita devoção
e vontade de folia.
Em frente desta capela,
Cantaram nossos avós.
Trazidos p’la mesma estrela,
Agora cantamos nós.
Nossas mães aqui cantaram
Com alegria e paixão
E com nossos pais dançaram
Ao som do acordeão.
Nossos filhos hão-de vir
Pra manter a tradição.
É promessa pra cumprir,
Ó virgem do Almortão!
Manuel Barata
OFÉLIA
OFÉLIA
Ficou para tia
A nossa Ofélia,
Porque a obra
(ai, a obra!)
De Fernando
Assim o exigia.
Morreu velha
E respeitada,
Mas por homem,
Presume-se,
Nunca amada.
Vagas promessas,
Pequenos nadas.
De eléctrico iam
À Cruz-Quebrada.
Iam e vinham,
Vinham e iam.
Iriam os dois
E de mãos dadas?
Ficou para tia
A nossa Ofélia,
Porque a obra
(ai, a obra!)
De Fernando
Assim o exigia.
Morreu velha
E respeitada,
Mas por homem,
Presume-se,
Nunca amada.
Vagas promessas,
Pequenos nadas.
De eléctrico iam
À Cruz-Quebrada.
Iam e vinham,
Vinham e iam.
Iriam os dois
E de mãos dadas?
sexta-feira, setembro 15, 2006
SANTA IRIA DE AZÓIA - 3

Santa Iria está um brinquinho. Todos os espaços livres, pequenos ou grandes, estão tratados com rigor e bom gosto. Goste-se ou não do executivo da Junta de Freguesia, manda a honestidade que se credite na conta dos autarcas santirienses, a forma meritória como têm tratado do território que lhes está confiado.
Eu costumo dizer que não trocaria Santa Iria por Cascais, porque também é uma vila ribeirinha e com linha. E alinhada com os melhores valores de desenvolvimento humano. É a terra de Jerónimo de Sousa. E também a minha!
SANTA IRIA - 2

Naquele ano de 1972, havia de conhecer o Silvestre Figueiredo - o meu grande e saudoso amigo Silvestre Maria das Neves Figueiredo -, que, tal como eu, fizera de Santa Iria a sua terra de adopção.
Médico amigo dos pobres e homem de grande generosidade, já merecia figurar na toponímia da freguesia. Trata-se certamente de um lapso, que os autarcas santirienses saberão corrigir oportunamente. O Silvestre era um quase filho da terra, que, à sua maneira, amou Santa Iria e as suas gentes. Teve consultório em Via Rara e foi médico na 1º de Agosto.
SANTA IRIA DE AZÓIA - 1

Vim para Santa Iria, no já longínquo ano de 1972. Costumo dizer às pessoas que me são próximas, que esta já é minha verdadeira terra. Com efeito, tenho por Santa Iria um carinho especial e tenho-lhe dado alguma coisa do que sei e posso. Provavelmente, menos do que deveria. Porém, tudo o que dei, dei-o de boa vontade e sem esperar por contrapartidas.
Fotografia do castelo de Pirescoxe
sexta-feira, setembro 01, 2006
VALENÇA - 2
VALENÇA - 1
CASTELO BRANCO - 6
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